sexta-feira, março 23, 2012

O sentido da aventura

O SENTIDO DA AVENTURA
UMA OPINIÃO PESSOAL



Qual a relação entre Peter Croft, Alex Lowe, Lynn Hill e os Pinheirinhos? Aparentemente nenhuma, no entanto...

No outro dia, sentia-me inspirado. Tinha visto algo na moderna e muitas vezes malfadada internet que me tinha despertado uma luzinha. Um interruptor que se liga e desliga consoante a deriva do entusiasmo.
Organizei o material necessário para a nova abertura que se avizinhava, tirei uma foto a tudo e fiquei ali um bocado a olhar para a quinquilharia. Um molhe de ferragem incompreensível para o resto dos mortais mas, para mim, uma espécie de xarope tranquilizador.


Quinquilharia incompreensível.


O pequeno filme da internet que me tinha entusiasmado, era um video sobre uma ascensão moderna do mítico escalador norte-americano Peter Croft.
Peter Croft, com 53 anos, continua a pautar elegantes ascensões em rocha que conclui, sobretudo nas montanhas californianas, em redor de Yosemite National Park. A realização que colocou Peter sob os holofotes da ribalta da tímida comunidade de escaladores foi, sem sombra de duvida, a ascensão em solo integral da famosa via Astroman, em Washington column, Yosemite. Corria o ano de 1987 e tinham passado onze anos desde a primeira ascensão em escalada livre da Astroman, uma via considerada anteriormente como linha de artificial.


A Daniela a iniciar o primeiro lance em travessia da nova via.


A escalada de Peter sem corda desta linha ícone impregnou-lhe um estatuto de lenda viva. No entanto, as realizações desportivas por si só, não bastariam para cativar a atenção para este escalador. Existia outro factor muito mais determinante, muito mais importante do que números insípidos de graus ou colecções. Um factor subjectivo e impalpável, partilhado também, por uns poucos, nos quais insiro Lynn Hill ou Alex Lowe, apenas para referir alguns.


Eu, a iniciar o terceiro lance da nova via (o sétimo, se contarmos todos os lances da travessia desde o inicio). O apêndice no capacete serviu para sacar umas imagens animadas!


Ainda no mesmo largo. Baptizamos este sitio com o nome: Reunião do coração. Adivinhem porquê.


Lynn Hill, apesar da sua reduzida estatura sempre foi dotada para o desporto e foi na escalada em rocha que se excedeu.
Ainda muito jovem esta rapariga foi praticamente adoptada pelo grupo restrito de escaladores que, logo após o auge do movimento Hippie, se instalaram permanentemente no vale do Yosemite. Este grupo sobrevivia como podia, realizando puxadas ilegais aos postes locais para poderem ter electricidade e concretizando pequenos serviços temporários no parque, muitas vezes em troca de comida para poderem permanecer na meca da altura e assim alimentarem os seus sonhos insaciáveis de escalada.


Lá embaixo, sobe a Daniela, depois de passar o crux do lance numero 9.


A chegar à reunião que baptizamos de: Reunião das ratazanas mortas. Numa pequena plataforma, no canto superior direito da foto (não visivel) encontramos duas ratazanas em estado de decomposição. Decerto uma gentileza das rapinas locais.


Uma presença feminina inserida numa tribo de machos, entre os quais cirandavam nomes, já na época sonantes, como Jim Bridwell ou John Long, constituía uma espécie de catalisador. No entanto, convêm pontualizar que Lynn Hill não funcionava de todo como a mascote de um bando atulhado em testosterona. A primeira ascensão absoluta em escalada livre da célebre via Nose, no colosso de 900 metros do El Capitan, depois de várias tentativas protagonizadas pelos “mais fortes” do vale, veio comprovar, caso ainda existisse um remanescente de dúvida, as capacidades desta escaladora dedicada.


Na bonita entrada do 9º lance de escalada.


A chegar à "Reunião das ratazanas mortas".


Alex Lowe, por seu turno, era frequentemente mencionado como “Cavaleiro branco” ou “Pulmão com pernas”, devido à sua fortaleza física e mental.
Ao contrário de Peter Croft ou Lynn Hill, escaladores de rocha convictos, Alex sobressaiu no terreno alpino, figurando no seu curriculum ascensões mistas e de gelo extremamente difíceis aos níveis técnico e psicológico. Uma das suas realizações indeléveis foi a abertura de uma via de Bigwall nas Torres do Trango, no Paquistão, “Parallel worlds” em 1999. Esta ascensão notável a juntar ás outras duras escaladas protagonizadas por Alex demonstraram a competência deste grande alpinista versátil. Alex Lowe morreu sepultado por uma avalanche, durante uma actividade de reconhecimento à face sul do Shisha Pangma. Com ele foi também a fotografia dos seus dois filhos, que transportava sempre em todas as suas expedições.


A Daniela a terminar a via. Lá embaixo, a baleia sempre presente. Onde está a baleia?


Alex era reconhecido na comunidade de escaladores pela sua coragem, graça, aptidões atléticas e sobretudo pela sua humildade, esta ultima qualidade, em minha opinião, vai de encontro directo com o seu mais importante legado, transcrito numa singela ideia. Ideia essa em tudo relacionada com o tal factor subjectivo e impalpável, comum a Peter Croft e Lynn Hill. Comum também a outros tantos, que desejava serem muitos mais.

No dia seguinte, a Daniela e eu embrenhámo-nos numa nova aventura. No primeiro dia escalámos a primeira parte de uma nova via na bela falésia dos Pinheirinhos, na Arrábida. Consideramos esta parede como uma espécie de “nosso quintal” e a cada visita maravilhamo-nos mais com a beleza natural circundante.
Íamos decididos a enfrentar as dificuldades com um estilo ligeiro e, para isso não transportámos a “batota” favorita: a máquina de furar. As plaquetes que parcamente abandonamos foram colocadas à mão o que constituiu um bom lembrete da dureza da tarefa. Embora a máquina nos tenha acompanhado nalgumas das nossas mais recentes aberturas, acredito que é muito salutar continuar a pensar que a colocação de “bolts” à martelada e à mão tem um fundamento de “fair-play” mais acentuado, no fundo, mais ético.
Uma primeira grande travessia horizontal por baixo de um arco de extra-prumos góticos de calcário introduz-nos num mundo estranho e surreal. O movimento suave do mar azul e transparente mesmo por baixo dos pés vai deformando o leito, revelando imagens etéreas, sugerindo uma aura misteriosa neste lugar singular. O ambiente quase esotérico condiciona as acções. Escalar aqui requer algum esforço mental suplementar, uma inspiração particular.


Mundo das sombras.


A Daniela, na travessia inicial e o primeiro largo original da via.


A chegar à primeira reunião da via, com o mar aos pés. "Deep water soloing", carregados de material!


O primeiro lance vertical da via, revela os seus segredos sob a forma de uma rocha sólida e confiável. Cruzamos território inexplorado e vertiginoso mas, nunca extremo em termos de dificuldades. De facto, as formas rochosas exageradas, durante milénios pertencentes ao reino da escuridão, depois colocadas a céu aberto pela eterna acção do Atlântico, foram esculpidas por processos geomorfológicos, que criaram a ergonomia suficiente para permitir uma escalada relativamente fluída, mesmo com muito ar debaixo dos pés.


Uma fissura perfeita para desfrutar dos primeiros passos verticais da via. "Finalmente para cima!"


Vistas vertiginosas desde a segunda reunião original da via.


E a realizar o ultimo passito delicado de acesso à reunião.


No segundo dia da abertura, uma nova surpresa surgiu no horizonte. Golfinhos.
Não é a primeira vez que avistamos estes cetáceos a rumar em direcção ao oceano profundo, graciosamente emergindo e mergulhando de forma cadenciada. A aparição destas almas dos mares desperta-nos sempre sorrisos rasgados e exclamações de jubilo. Um momento de paz e maravilha num mundo cada vez mais confuso e de futuro incerto. O surgimento fugaz destes belos animais devolve-nos o sentimento de que o planeta vai subsistir, o azul do céu continuará a brilhar e o oceano seguirá insondável.


Os Golfinhos vão à frente (dois pontinhos no extremo direito da foto)... perseguidos por um chato dentro de um pequeno yate que os queria acompanhar.


O ultimo lance da nossa via revelou-se o mais exigente. Precariamente suspenso num friend marginal, acabo de arruinar os rins a colocar o ultimo expansivo. Desde este ponto ergue-se uma fissura/diedro estética e atractiva. Pensei: “Assim que lhe colocar as mãos... lá vou eu!” Coloquei-lhe as mãos e... cerca de uma hora depois – depois de muito mais tempo a cruzar uma placa teimosa – emergimos no topo da falésia.
Resolvemos baptizar a nova via com o nome Golfinhos. Uma pequena homenagem à vida.



Dois momentos no ultimo lance da nova via. O largo mais exigente e que deu mais trabalho a abrir.


Dois dias antes, depois de ver o pequeno video de Peter Croft, organizei o material e fiquei para ali a olhar para a quinquilharia. De repente, surgiu-me na cabeça a ideia concreta do que me fascina na escalada e na montanha e o que verdadeiramente me motiva.
No filme de Peter Croft, este termina com uma curta dissertação:
“Eu gosto de ir a locais onde ainda existem uma série de desconhecidos, o que quero dizer é que busco a aventura e que isso me mantêm lá encima. Quando todos os elementos se unem, parece magia. Parece que... esse é o teu dia!”

Por outro lado, Lynn Hill, após a sua ascensão em livre da via Nose, escreveu:
“A realização final desta ascensão não foi apenas o culminar da minha carreira de 18 anos de escalada mas, representou também um simbolismo do tipo de valores que dão sentido e riqueza ás minhas experiências na escalada. (...) Estes sentimentos de paixão e convicção foram os que me permitiram atingir o fundo do meu ser e aceder ao poder imenso do espirito humano.”

Alex Lowe, por seu turno, numa reportagem publicada na American Alpine Journal, escreveu uma frase muito simples mas com um significado imenso:
“O melhor escalador do mundo é aquele que mais se diverte”


Luzes sobre o dentinho do Gatinho.


Estas palavras que poderiam ter sido ditas por outros que considero (e que jogam a um nível muito superior ao nosso), relembram-me o que realmente valorizo e que vai muito para além dos números, colecções, logros ou realizações. Vai para além até do terreno de jogo, desportiva, aventura, boulder, alpinismo, rocha boa, rocha podre, erva ou escombros. O que realmente relaciona os Pinheirinhos, as pessoas, o mar, os golfinhos, o céu, as nuvens, as montanhas, a aventura, pode traduzir-se numa única palavra, um poderoso concentrado de valores que se conhece pelo nome de...




ESPÍRITO.



Paulo Roxo


Os topos





domingo, março 18, 2012

E se...

E se as BIGSIX se transformassem em BIGSEVEN?



Dois dias, seis plaquetes, três pitons, duas cordeletas, um alien entalado e muita vontade, foi o que nos custou para criar uma nova pintura nos Pinheirinhos.


A historia...

a seguir...

aqui.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Pineta

BARRIGADA DE GELO




Ainda no fim do primeiro dia de escalada, Domingo, dizia:
- Se amanhã escalarmos como hoje e na Terça fizermos uma via antes de irmos, o post vai chamar-se “Barrigada de Gelo”.

Sábado, algures pelas 14:00 entrávamos no vale de Pineta, com uma fome de gelo difícil de satisfazer. Este ano, até à data, as nossas mãos ansiosas ainda não tinham sentido o peso dos piolets.



Duas imagens do vale de Pineta. Dias gloriosos.



À medida que subíamos o vale à procura do camping onde iríamos ficar, começamos a avistar nas vertentes bonitos canyons absolutamente congelados.
À nossa esquerda, a primeira grande cascata que avistamos foi a estética “Cascada de La Sarra”. Os nossos olhos mediam a dimensão desta cascata encaixada no Barranco de Molins. Uáu! Tinha à vista bem mais de uma centena de metros para escalar!
Dois minutos mais à frente, também do lado esquerdo, ainda os nossos olhos não tinham largado a “La Sarra”, estava o camping.
Rapidamente descarregamos o carro, apreciamos a “tenda” onde iríamos passar algumas horas dos próximos dias (como a vida é dura!!) e prosseguimos o reconhecimento vale acima.


A nossa "tenda", um achado em conta com uma vista...


... para as montanhas.


Em várias linhas de água o tempo para as gotinhas de água tinha parado. O seu percurso até ao mar estava agora interrompido devido ao intenso frio dos últimos dias, para nosso deleite.
As cascatas sucediam-se vale acima, barranco sim, barranco sim. Apesar de muitas cascatas, o nível de neve estava muito acima e as vertentes estavam longe de mostrar a pintura branca que normalmente ilustra os Pirinéus nesta altura do ano. Queríamos lá saber disso! Havia gelo em quantidade e (viemos a saber um dia depois) em qualidade para saciar a nossa fome.
Regressamos ao camping a fim de planear o que seria o nosso primeiro dia de gelo da época. Estávamos indecisos, entre a “Cascada de la Sarra” e a “Nostalgia de lo Irlandês”. Ambas aparentavam ocupar umas boas horas. Decidimos pela “Nostalgia de lo Irlandês”, supostamente com 160m e que aparentava ser mais fácil.
Para aproveitar o dia integralmente e apanhar esta cascata sem ninguém, decidimos despertar pelas 5:30. Cerca das 7:15, parávamos o carro junto ao Refugio do vale de Pineta e desde aí, após uma dura aproximação de... 15 minutos, chegámos à base da cascata.
As condições do gelo?
SOBERBAS! Rapidamente os piolets ganharam vida e “piolada” atrás de “piolada”, “cramponada” atrás de “cramponada” ganhámos metros afastando-nos do chão.


Para nós, as primeiras pioladas do ano. Nada como iniciar as hostes com uma cascata de uns 250 metros! A "Nostalgia del Irlandês".


A Daniela a enroscar um parafuso...


... e a "chapar".


"Let`s go!"


Boa foi a ideia de começar cedo, pois ao terminar o primeiro largo, estava já uma cordada a iniciar esta mesma via.
A escalada decorreu entre cascatas e ressaltos por bem mais dos 160m anunciados, para terminar numa bonita coluna, o largo mais técnico. Apesar de pequeno, a verticalidade puxou pelos nossos braços já desabituados de fazer força! Quantos metros escalamos, não temos bem a certeza, mas foram seguramente um pouco mais de 250m.





Quatro fotos da Daniela numa das cascatas maiores da "Nostalgia del Irlandês".





Na ultima coluna vertical e "a puxar"!


A proximidade ao camping tornou-se num verdadeiro luxo! Fomos almoçar à “tenda” quentinha e pela tarde rumámos a mais uma cascata, desta vez mais "pequenina".
Perto da cabeceira do vale, avistámos uma via, um bonito largo com cerca de 40m. A decisão foi fácil, um larguinho grandote para rematar o dia... chega bem. A surpresa foi boa!



A bonita cascata da tarde. A "Amenaza subirana" parecia ter apenas um largo mas afinal...



No topo, recolhido dos olhares de quem está na base da cascata, encontrámos mais um largo. Os 40m esperados tornaram-se numa espectacular cascata de 80m, a terminar numa mega cova onde se inicia a mais dura via das redondezas (que não estava devidamente formada), a “Brutal Fang”, com o seu acesso por um mega tecto em artificial.



No segundo lance da "Amenaza subirana".


Mais acima, a mais dificil do vale: "Brutal Fang", em más condições.


Saldo do primeiro dia?
Corpo cansado, mente feliz.


Mente feliz!



A via "Nostalgia del Irlandês" é a garganta evidente. Não conseguimos evitar a porcaria do cabo nesta foto.


Saboreando o merecido jantar já no quente conforto, decidimos escalar a “Cascada de la Sarra” no dia seguinte. Decidimos também acordar meia hora mais cedo, para garantir novamente que éramos a primeira cordada a escalar e que não tínhamos ninguém na cola.
Pelas 7:15 estávamos já na base (após mais uma dura aproximação de 15 minutos!) a equiparmo-nos, quando apareceu mais uma cordada. UF! Ainda bem que chegámos cedo!
“Mierda” pensaram os espanhóis que também madrugaram para ser os primeiros.
O primeiro largo desta cascata é de encher os olhos... e os braços! Um “cachão” de gelo com cerca de 50 contínuos metros a 80/85º. Não podia começar melhor.


"La Sarra". A jóia do vale de Pineta. Para começar o dia temos uns 50 metros contínuos de gelo. Beeeeelo!


Seguiu-se mais uma cascata de 35m, uns ressaltos, mais duas cascatas e finalmente um estético e ultimo largo de 30m, bastante encaixado, a sair de uma marmita de gigante. Marmita perigosa, pois a água aí em estado liquido estava disfarçada por um tapete de folhas. Um espanhol mais distraído da cordada que nos seguia, aferiu o nível de água... até à cintura!



Segundo lance também espectacular.






A Daniela a desfrutar o segundo lance da "La Sarra"




A caminho do topo!


Mais uma via soberba! Depois de uns quantos rapeis até à base as nossas cordas estavam... inconsumíveis! Também não nos importámos muito, porque os 200m da “La Sarra” encheram-nos as medidas.


A nossa satisfação não aquece o suficiente para descongelar as cordas, transformadas em cabos de aço.


"La Sarra". 200m, 4+.



O resto do dia foi útil para fazer o reconhecimento do que poderíamos escalar no nosso último dia, a Terça de Carnaval. Dia em que teríamos de regressar a Portugal. Não queríamos fazer as 10 horas de viagem sem antes picar gelo, uma vez mais.
Decidimos espreitar as cascatas do túnel de Bielsa, que sabíamos ficarem perto da estrada. Uma (ainda mais) curta aproximação seria o ideal para o dia de regresso.
Entre as várias cascatas formadas, na boca sul do túnel, estava a eleita, uma das aconselhadas, “El sueño del agua”. Muitos metros de gelo a começarem a 5 minutos do estacionamento! Decidimos que no dia seguinte faríamos um ou dois larguitos daquela linha bonita antes de regressar a terras lusas...só mesmo para colmatar aquele niquinho de fome que ainda vingava.
Com o reconhecimento feito, achamo-nos no direito de, pela hora do lanche, saborear uma tapita bem acompanhada de “una botella de cerveja”, no bonito “pueblo” de Bielsa.



Bielsa.



Na terça-feira de Carnaval, mais uma vez o despertador toca cedo, desta pelas 5:10. Depois de tudo arrumado e um pequeno-almoço quente e aconchegante, saímos da “tenda” já com o arnês à cintura, rumando ao último “Sueño” desta visita relâmpago às cascatas dos Pirinéus.
Pelas 7:00 estacionávamos o carro e ás 7:20 estávamos já com os piolets a golpear o gelo.
Nada melhor para iniciar uma longa viagem de regresso, que uma cascata expresso de 220m! De facto, em vez de “um ou dois larguitos daquela linha bonita”, acabamos por fazer os 220m da cascata toda!




A ultima cascata da actividade carnavalesca: a "El sueño de agua". 200 metrinhos mais antes de rolar para casa.


"El sueño de agua", boca sul do tunel de Bielsa. Neve nem pitada!


Era meio-dia quando o motor do carro começou a trabalhar. Eram as 12:00 quando demos por terminada a nossa “Barrigada de gelo”. Eram as 12:00 quando iniciamos o rol de comentários acerca desta viagem expresso, da quantidade, da qualidade, das dores nas mãos, do luxo do Bungalow, do desejo de voltar. Eram as 12:00 mas podia ser oura hora qualquer. O que não podia ser era outra cordada qualquer!


Daniela Teixeira