Rocha podre e pedra dura
Este é um blog que vai de rocha em pedra, de podre em dura, de dia em noite...é um blog de...cãotrastes!!!
Quinta-feira, Junho 04, 2009
Quarta-feira, Junho 03, 2009
TOKA LANGAGE (?!)


Pinheirinhos!
- Uau! Agora sim, escalada! – Pela primeira vez, liberto-me das amarras da tensão e da duvida e lanço-me a uma série de passos que se sobrepõem rapidamente.
Ironicamente é a secção da via em que as protecções mais distam e, onde é impossível proteger com outras coisas. No entanto, o run-out coincide com o troço de melhor rocha. As boas presas surgem-me nas mãos e a escalada desenvolve-se com fluidez. A corda pende livre. Uma queda iria supor um voo distante mas, jamais exposto. O extra-prumo é considerável.

O primeiro lance: longo, precário e nervoso.
Depois de equipar (semi-equipar) e limpar a via desde o cimo, faltava realizar a primeira ascensão.
No dia 5 de Abril, a Daniela e eu dirigimo-nos para os Pinheirinhos determinados a dar o nosso melhor.

A daniela e as gaivotas.
Essa determinação foi rapidamente minada logo após os primeiros metros.
Dias antes, eu tinha ocupado bastante tempo a limpar e sanear blocos incrustados no inicio da via. Mas, pelo visto, contra todas as expectativas, essa limpeza, a juntar ao numero de plaquetes colocadas, não ajudaram a mitigar o medo causado pela própria estrutura rochosa.

Nuvens...
Bastante nervoso, fui realizando os movimentos mas, não me atrevia a prosseguir sem analisar os passos seguintes... pendurado na protecção anterior.
O run-out com rocha de qualidade foi, na verdade, o salvador espiritual deste lance infame.
Depois da reunião, seguiu-se uma placa com um “concentrado de dificuldade” e logo um diedro de aspecto frágil mas, de rocha excelente.


Dois momentos do segundo largo. Aparência frágil mas, sólido.
O ultimo largo é mais difícil do que parece, quando visto desde baixo. Os dois blocos suspeitos a meio, apesar de bem agarrados, devem ser tratados com respeito.
A “Toka Langage” – o nome não tem qualquer significado!- trata-se simplesmente de mais uma via a juntar à colecção dos Pinheirinhos.
O primeiro lance é o mais equipado mas, também é o mais delicado. Este pode ser evitado, escalando o primeiro largo da “Oliveirinha”.
Paulo Roxo
Etiquetas: Serra da Arrábida
Quinta-feira, Maio 28, 2009
SERRA DA ESTRELA. VALE DE LORIGA.

O Verão aproxima-se e a Serra da Estrela acaba de despir o seu efémero manto de neve.
Há muito que os piolets estão estacionados e é tempo de pensar em... rocha. Pelo menos para vocês, que anseiam por retornar ao granito da Serra, ou que finalmente, se decidiram conhecer o que a Estrela tem para oferecer.
Entre 1996 e 2003, foram realizadas várias visitas ao belíssimo Vale de Loriga. Durante algumas Primaveras e Verões foram abertas uma vintena de vias, dispersas por quatro maciços principais localizados abaixo da represa que fecha o vale.
Desde então permaneceram um pouco na obscuridade e esquecimento. São no entanto, linhas naturais e intuitivas, algumas belas vias de fissura que pedem a gritos para serem escaladas.
Desvenda-se aqui, mesmo antes de partir para um outro canto do mundo, as vias existentes até à data, no Vale de Loriga.
ACESSO E APROXIMAÇÃO
Para o Vale de Loriga, vindo da Covilhâ, passar os grandes (e aberrantes!) estacionamentos do ski. Na primeira curva teremos uma ampla vista sobre o Vale de Loriga (ao fundo divisa-se o sector “Al Cabreiro”, depois da represa), passada a segunda curva para a esquerda, encontramos uma esplanada onde é possivel aparcar. Desde aqui sai um estradão de terra que se dirige directamente para o Vale de Loriga. Passamos por cima da represa e descemos por trilho evidente até ao Covão da Areia, no centro do vale.
O primeiro grande maciço da direita é o Cabeço do Balcão. Subindo pela direita do vale chegamos aos outros sectores.
Atenção: Se vamos deixar algo de valor dentro da viatura o melhor será estacionar junto à Torre e realizar o trajecto a pé. 1h30, a descer.
AL CABREIRO E COIÇO DA NAVE
- Al Cabreiro. 80 mts, 6b/A1. Paulo Roxo, Ricardo Nogueira e Paula Ferreira em 13 de Julho de 1996.
Reuniões equipadas.
L1: V. Entrada pela esquerda de um diedro, logo pelo diedro.
L2: 6b/A1. Diedro seguido de espectacular fissura de entalamentos. Travessia final para a esquerda em artificial.
L3: 6a. Fenda, seguida de curta chaminé. Saída por placa protegida com um piton.
Material: Friends, médios e grandes repetidos. Entaladores.
Descida: Rapel pela própria via.
- Em busca da cascata perdida. 80 mts, 6c. Paulo Roxo e Vasco Candeias em 5 de Fevereiro de 2000 (linha oculta no croquis. No interior da grande chaminé).
Reuniões equipadas.
L1: Comum com a “Al Cabreiro”.
L2: 6c. Fenda em linha recta a meio da grande chaminé.
L3: 6a. Chaminé (túnel vertical!). Saída por fissura vertical.
Material: Friends e entaladores.
Descida: Rapel pela “Al Cabreiro”.
- Os vagabundos do Gore-tex. 80 mts, 6c/A1. Paulo Roxo e Mário Albuquerque em 9 de Julho de 2001 (segundo lance oculto no croquis. No interior da grande chaminé).
Reuniões equipadas, excepto a ultima
L1: Comum com a “Al Cabreiro”.
L2: 6c/A1. Diedro à direita da “Em busca da cascata perdida”. Travessia horizontal para a direita protegida com pitons (artificial), que convêm rebater.
L3: 6b+. Travessia horizontal até esquina aérea. Logo na vertical por placa.
Material: Friends. Repetir grandes (camalot 4) e médios.
Descida: Rapel pela “Al cabreiro”.
- Master Five. 80 mts, 6c. Paulo Roxo e Paulo Gorjão em Setembro de 1999.
Reuniões equipadas com um perno. Algumas plaquetes nos largos.
L1: V. Trepada algo musgosa de acesso ás vias.
L2: 6c. Fenda dificil, chaminé aberta e saída por fissura.
L3: 6b+. Diedro dificil, off-width e fissura de saída.
Material: Friends. Repetir médios.
Descida: Rapel pela “Al Cabreiro”.
- O grande diedro. 80 mts, 6b. Paulo Roxo, Paulo Gorjão e Vasco Candeias em 17 de Junho de 2000
Reuniões equipadas com um perno, excepto ultima.
L1: V. Comum com a “Master Five”.
L2: 6a+. Diedro evidente.
L3: 6b. Diedro evidente.
Material: Friends. Repetir médios.
Descida: Rapel pela “Al cabreiro”.
- La Psicóloga. 80 mts, 6a. Paulo Roxo e Vasco Candeias em 17 de Junho de 2000.
Reuniões 1 e 3 equipadas com um perne.
L1: Comum com a “Master Five”.
L2: III. Trepada de acesso à fissura.
L3: 6a. Fissura que alarga até se transformar em off-width.
Material: Friends médios e grandes. Aconselhável camalot 5.
Descida: Rapel pela “Al Cabreiro”.
- Greta Garbo. 60 mts, V+. Paulo Roxo, Ricardo Nogueira e Yolanda Traver em 15 de Março de 1997.
Uma plaquete na ultima reunião.
L1: V. Placa e fissura vertical. Reunião em fenda horizontal.
L2: V+. Laca algo técnica até alcançar fissura vertical.
Material: Friends e entaladores.
Descida: Rapel pela “Graciosa”, com cordas duplas de 50 metros.
- Aquiles. 50 mts, V+. Miguel Loureiro, Paulo Roxo e Paula Ferreira em 3 de Agosto de 1996.
Reunião equipada.
Fissura rectilínea evidente.
Material: Friends e entaladores.
Descida: Rapel pela própria via com cordas duplas de 50 metros.
- Graciosa. 50 mts, V+. Paulo Roxo e Yolanda Traver em Junho de 1996.
Reunião equipada.
Fissura rectilínea evidente (paralela com a “Aquiles”).
Material: Friends e entaladores.
Descida: Rapel pela própria via com cordas duplas de 50 metros.
- Ervas. 50 mts, V. Paulo Roxo, Paula Ferreira e Miguel Loureiro em 4 de Agosto de 1996.
Via totalmente desequipada.
Primeiro por diedro, logo por placa musgosa.
Material: Friends.
Descida: Rapel pela “Graciosa” com cordas duplas de 50 metros.
- Moby Dick. 50 mts, 6c. Paulo Roxo e Francisco Sancho em 3 de Junho de 2000.
Reuniões equipadas e três plaquetes no primeiro largo e uma no segundo largo.
L1: 6c. Diedro com entrada estranha.
L1: (11a) IV. Entrada alternativa.
L2: 6c. Fina fissura evidente.
Material: Friends e entaladores.
Descida: Rapel pela “Graciosa” com cordas duplas de 50 metros.
COIÇO DA NAVE
- Bigwallica. 60 mts, 6c. Paulo Roxo, Miguel Loureiro e Paula Ferreira em 4 de Agosto de 1996.
Uma plaquete na reunião final.
L1: 6c. Fissura vertical e em meia lua para a esquerda. Saída para a direita antes do final da travessia, logo placa tombada até à reunião.
L2: 6b+. Fenda vertical evidente.
Material: Friends. Repetir médios.
Acesso: Rapel pela própria via. Cordas duplas de 60 metros. Reforçar reunião.
CABEÇO DE BODE
- Natal de Verão. 100 mts, 6b/A1. Paulo Roxo em solitário em 1 de Setembro de 1998.
Via totalmente desequipada.
L1: 6b. Entrada dificil seguida de chaminé fácil.
L2: 6b. Grande lastra.
L3: A1/V+. Fenda vertical (artificial), floresta de zimbro e diedro.
Material: Friends e entaladores.
Descida: A pé, destrepando pela direita do sector.
- O antagonismo dos pólos. 80 mts, 6c. Miguel Grillo, Paulo Roxo, João Ferreira, Ricardo Rodrigues, Helder Massano em 31 de Maio de 2003.
Segundo lance totalmente equipado.
L1: 6c. Fenda larga (off-width).
L2: 6a+. Placa técnica totalmente equipada.
Material: Friends grandes e médios.
Descida: A pé, destrepando pela direita do sector.
- Manel das feijocas. 50 mts, 6c. Paulo Roxo e João Ferreira em 31 de Maio de 2003
Reuniões equipadas.
L1: 6c. Fissura dificil e vertical.
L2: V. Placa tombada.
Material: Friends e entaladores.
Descida: A pé, destrepando pela direita do sector.
CABEÇO DO BALCÃO
- Pitágoras. 80 mts, 6a. Paulo Roxo e Yolanda Traver em 23 de Junho de 1996.
Via totalmente desequipada.
L1: 6a. Fissura diagonal para a esquerda.
L2: V. Fissura diagonal para a direita.
Material: Friends e entaladores.
Descida: A pé, destrepando pela esquerda do sector.
- Noite na Terra. 80 mts, 6a. Paulo Roxo e Yolanda Traver em 23 de Junho de 1996.
Via totalmente desequipada.
L1: 6a. Diedro com entrada por granito branco.
L2: V+. Fissura/diedro.
Material: Friends e entaladores.
Descida: A pé, destrepando pela esquerda do sector.
- Homem-Rato. 110 mts, 6a/A1. Paulo Roxo em solitário em 31 de Agosto de 1998.
Um spit na primeira reunião e outro no inicio do segundo lance.
L1: 6a/A1. Diedro evidente. Saída para a direita por fina fissura.
L2: A1/V+. Fissura fina vertical.
L3: V+. Fissura, primeiro vertical, logo mais tombada.
Material: Friends, entaladores e uns três pitons (dois lâminas e um universal).
Descida: A pé, destrepando pela esquerda do sector.
- Diedro inevitável. 100 mts, 6b/A1. Primeira ascensão desconhecida.
Via totalmente desequipada.
L1: 6a. Esporão à esquerda de uma chaminé. Reunião em árvore numa grande plataforma.
L2: A1/6b. Diedro evidente.
L3: A1/6b. Diedro evidente.
Material: Friends e entaladores.
Descida: A pé, destrepando pela esquerda do sector.
Segue uma lista de vias muito aconselhadas para uma primeira visita... ou segunda visita... ou terceira...
Al Cabreiro – Segunda via a ser aberta no maciço. A fissura de entalamentos de mãos do segundo lance diz tudo. Ainda espera uma realização total em livre.
Em busca da cascata perdida – Única via aberta no Inverno. Muito bonita. A sua chaminé, interior, tipo túnel vertical dá-lhe um toque de graça pouco habitual.
Os vagabundos do Gore-tex – Aérea via cujo segundo lance espera uma total realização em livre.
Master Five – Fissuras espectaculares.
O grande diedro – Incontornável. É O diedro!
La psicóloga – Fenda larga, arranha ombro mas, uma boa recordação masoquista.
Moby Dick – Uma das melhores vias de Loriga. O primeiro lance é de difícil leitura (à entrada).
Bigwallica – Espectacular linha de dois largos de realização obrigatória.
O antagonismo dos pólos – O primeiro largo segue uma das fissuras mais rectilíneas da Serra da Estrela. É no entanto um “off-width”. O segundo largo, segue uma placa técnica muito bonita, totalmente equipada (com ambiente!). Via obrigatória!
Manel da Feijocas – Muito boa via que espera ainda um encadeamento.
Homem-Rato – Aberta em solitário, o seu nome deve-se a um ratinho que saltou de um arbusto quase provocando a queda (que seria monumental) do aberturista.
Diedro inevitável – O diedro mais evidente do sector.
A maioria das vias foram abertas sem se realizar qualquer limpeza de musgo. Algumas, no maciço de Al cabreiro, foram posteriormente escovadas mas, já lá vão uns anitos. Por isso, a acrescentar ao material necessário, não esquecer uma escova.
Etiquetas: Serra da Estrela
Sexta-feira, Maio 15, 2009
EDELWEISS UP-DATED... E OUTRAS COISAS!

A Meadinha.
Em Outubro de 2008, a Daniela e eu abrimos uma nova via na parede da Meadinha.
A Edelweiss foi aberta desde baixo, com a utilização da máquina para colocar os poucos pernes existentes. Estes foram colocados “à frente” içando a máquina com uma cordeleta de apoio.
Pouco tempo depois, soubemos que algumas semanas antes da nossa abertura, tinha sido inaugurada uma via que coincidia com a Edelweiss no final do terceiro lance. Tratava-se de um antigo projecto do Pedro Pacheco com o nome de “Via Norte” e ainda não referida nos croquis da Meadinha.
Por ignorância, acrescentámos dois pernes na Via Norte. Um, numa pequena placa final do terceiro largo e o outro na terceira reunião.

A aldeia de Sra da Peneda, lá embaixo!
A manhã do dia 1 de Maio viu-nos a subir a fantástica escadaria de pedra que, por entre o denso bosque permite aceder à base da parede da Meadinha.
Pretendíamos repetir a Edelweiss, com um triplo objectivo: retirar as plaquetes “invasoras”, forçar a via em livre rectificando o grau de dificuldade e (sobretudo) desfrutar uma vez mais desta magnifica parede.

A Daniela a iniciar a via S.
Após a nossa abertura, a Edelweiss foi repetida por escaladores galegos que a realizaram integralmente em livre e... decotaram a via, “a pique”!
Dizem que as placas técnicas são a coisa mais difícil de cotar no mundo da escalada em rocha. A nossa percepção inicial conduziu-nos a propor um determinado grau à Edelweiss. Para além de ser uma via de características tipicamente “a la Peneda”, com as sempre presentes trepadas nervosas por cristais salientes, estávamos a abrir via, o que pressupõe uma maior dificuldade de análise e conclusão das dificuldades. Por outro lado, o grau está longe de ser uma estrutura rígida e a sua consolidação resulta de um consenso de opiniões dos repetidores.

Vistas sobre o "Pequeno half-dome".
Sabemos que alguns escaladores de Vigo e outra malta do norte de Portugal estão muito acostumados a este tipo muito particular de escalada. Daí, nem sequer constituir uma surpresa por aí além o facto de terem decotado tanto a via (num dos largos, do 6b para V+/6a!). Para mim é perfeitamente compreensível. Estes tipos, são de facto os locais e estão mesmo à vontade no reino do cristal!

Uma cordada na via "Meadinha".
Como era de esperar, a nova ascensão da Edelweiss correu-nos de uma forma muito mais fluida e a via foi totalmente encadeada em livre.
Na curta placa final do terceiro lance, comum com a Via Norte, onde por desconhecimento tinha colocado uma plaquete, realizei os passos sem proteger na chapa e, posteriormente desequipamos a secção. A plaquete da reunião também foi retirada. É possivel montar esta reunião com friends ou utilizando uma cinta à volta de um grande arbusto oportuno.

Daniela antes de iniciar a via "Meadinha".
No ultimo largo, apenas interessante para quem queira muito realizar “toda” a Edelweiss foi equipada a reunião com uma (!) plaquete de argola.
A linha de rapel a adoptar coincide com a via “Aplaudeme Nena”, com a possibilidade de se apanhar outras reuniões, de outras vias.
A Edelweiss é uma via de grau mais ou menos acessível mas, exposta. No segundo lance encontramos um “run-out” considerável num esporão de escalada relativamente fácil mas desprotegida, não só para o primeiro, como para o segundo da cordada que, no caso de queda se arrisca a rebolar pela esquerda ou direita da aresta. Assim, é de todo conveniente afrontar esta via com o nível psíquico consolidado no granito da Peneda.

Por outro lado, no fim de semana de 1 de Maio, a Meadinha recebeu a visita de alguns ilustres “mouros” da nossa comunidade, que se deleitaram com a “escalada do cristal”, resultando na repetição de algumas vias emblemáticas, como a “Autopista”, a “KK deluxe”, a “Come-cocos” e alguns outros largos, mais... alternativos! Alguns enganos conduziram à repetição de alguns lances raramente escalados.
O Nuno Pinheiro, avança para o que pensava ser o segundo lance da KK deluxe, realizando, na verdade, a via “Cálice do Porto”, recentemente escovada e aberta pelo Alberto Teixeira e o Paulo Pereira, em 1987. Esta é uma das vias da Peneda com fama de comer poucas protecções e “run-outs” tremendos. O Nuno descreve a façanha como uma escalada exposta de escassas peças e com uma placa final que “pode chegar ao 6b+” (da Peneda!!).
Os recentes croquis da Meadinha não apresentam ainda o grau para esta via.

Sergio "abismado" na "Come-cocos".
No dia seguinte, o “Bau-bau” ainda bastante cru na arte de lidar com a quinquilharia (era a primeira vez que escalava “à frente” com friends!), resolve atacar o primeiro lance da “Come-cocos” mas, após ultrapassar a arvore (!) inicial desvia-se da fenda de entalamentos de mãos e entra de chofre (absolutamente equivocado!) no “Off-width” da via “Roy”. A fenda revela-se larga o bastante para um cenário de esfoliante de pele. As protecções transformam-se de súbito NA protecção protagonizada por um singular friend dos grandotes a ser arrastado, de uma forma já clássica, fissura acima. Terminus na reunião com um cheiro a suor fora do normal. O cheiro do medo!
Um BRAVO para o “Bau-bau”!

Eu, na "Dias de lluvia", sem utilizar qualquer das plaquetes instaladas... excepto o top, claro!
Entretanto, a Ana Silva e a Isabel Boavida, partilharam a liderança na espectacular Autopista, com o sr. Emilio a dar o seu melhor “20 anos depois” da sua ultima visita à Meadinha, num tempo em que os friends eram mais valiosos que diamantes e as plaquetes eram caricas de coca-cola.
Inspirado pelo retorno, o Emilio contou para aí umas cinco ou seis vezes a sua longínqua aventura na “Directa dos tectos”, em que subiu o primeiro largo da via, todo borradinho. Como segundo de cordada o Paulo Gorjão escalou o lance em livre... de preconceitos e exclamou: -Olha Emilio! Só vim aqui para te dizer que se quiseres continuar, vai sozinho! Eu... vou para baixo!
Paulo Roxo
Etiquetas: Peneda-Gerês
Quinta-feira, Maio 07, 2009
Terça-feira, Abril 21, 2009
Chuva, chuva a norte, chuva ao centro, chuva a sul. Assim ditavam as previsões meteorológicas para o fim de semana da páscoa.
As dúvidas atormentavam-nos as ideias, à Daniela e a mim.
- E que tal o sul, SUL?
- Onde?
- El Chorro, por exemplo.
- Mmmm...

Vistas!
Pendurado num camalot 0,75, tento repousar alguns segundos. Olho para baixo e observo a fissura perfeita que corta a mega placa vertical com quase 50 metros. Desejava estar mais em forma para poder encadear esta extraordinária fenda.
Respiro fundo e retorno aos entalamentos de mãos para mais alguns metros de escalada.
Terminamos a via e começamos a procurar a reunião de rapel que se encontra instalada no lado oposto do penedo.
A outra margem da garganta oferece-nos a visão das paredes mais espectaculares do El Chorro.

As grandiosas paredes por cima dos tuneis.

E os incriveis tuneis!
Um ultimo rapel coloca-nos no “Caminito del Rey”, uma surreal passadeira que percorre a Garganta de los Gaitanes, suspensa sobre um precipício de cortar a respiração.

Um olhar desde os tuneis para "Caminito del Rey"...

...abismo assegurado!!
Com os últimos minutos de luz solar, pensamos onde podemos ir saciar a fome.
O estacionamento do parque de campismo de El Chorro, junto à represa encontra-se apinhado de viaturas. Adivinhamos o rebuliço de gente que neste fim de semana prolongado resolveram, como nós, escapulir-se da chuva intensa prevista para as terras do norte.
Na verdade, nem sequer o El Chorro, situado a sul da Andaluzia e conhecido pelo seu clima benigno, conseguiu ficar livre da massa de humidade que invadiu toda a Península Ibérica. Na sexta-feira choveu bastante, o que para nós nem foi muito negativo pois permitiu uma fugaz visita à emblemática cidade encantada de Granada.


Descobrimos um pequeno restaurante na margem oposta ao parque de campismo e refugio de El Chorro. Neste lugar mais tranquilo, em frente a um prato bem servido, fizemos a revisão do dia vivido na fantástica “Rayito de Luna, 6c”.

A Garganta de los Gaitanes.
A “Rayito...” foi aberta em 1984, por Andrés Ortega, Javier Rodriguez e Rafael Gamarro, quando apenas existiam três vias equipadas em toda a escola. Esta via ficou votada ao abandono durante bastante tempo. Por estar situada mesmo por cima das águas do lago formado pela barragem, as dificuldades de acesso eram obvias. Até ao momento em que foi equipada uma tirolesa em cabo de aço, mesmo à entrada da garganta. Essa tirolesa foi renovada recentemente, o que motivou abertura de outras vias no sector.

Um cú pesado! "Já tou velho para estas cenas!"

A Tirolesa... radical!
A travessia da tirolesa, incluidas as anterior e posterior “Ferratas”, demoram o seu tempo e a utilização de uma roldana para cabo de aço (que não dispunhamos) é fortemente aconselhável. Este factor, a juntar à obrigação de carregar os friends (coisa rara em El Chorro) não incentivam a repetições da “Rayito de Luna”. Na verdade, para mim e para a Daniela, pouco apreciadores da “confusão”, estes tornaram-se factores positivos.
Quanto à via, trata-se de um “ex-libris” raro. É uma via de fissuras, situada numa zona em que o forte são as desportivas de chorreiras, extra-prumos e as placas técnicas.

O primeiro lance... equivocado. O original está mais à esquerda (verificámos que não fomos os primeiros!).

O segundo largo... já no bom caminho!

A Daniela no terceiro lance.
O seu ultimo lance, constituído por uma mega-fissura que corta na diagonal uma grande placa, é considerada única em “El Chorro”. Com efeito, num mundo pejado de plaquetes, como o demonstra a grande maioria das zonas de calcareo de Espanha, esta linha sobressai pela sua quantidade mínima de expansivos, apenas existentes nas reuniões e dois exemplares, no inicio e a meio do ultimo largo, num local onde a fissura atinge as dimensões de um “Off-widht”. Os verdadeiros entalamentos de mãos vêm a seguir...

E a super-fissura!

Ainda...
O ponto negativo desta via está directamente relacionado com a própria localização geográfica. Apesar de ser escalada poucas vezes, a “Rayito de Luna” está longe de constituir uma aventura remota e isolada. Voltada para a estrada sinuosa que liga Ardales a Álora, qualquer escalada nesta parede transforma-se num chamariz para os turistas que por aqui passam. Muitos curiosos param os seus carros em meio da faixa de rodagem e, saem para fotografar os escaladores em plena faina.
De todos modos, o ruído ocasional do trânsito está dentro dos limites razoáveis, nunca atingindo proporções que transformem esta escalada numa experiência desagradável.
A “Rayito de Luna” é de todo uma via aconselhável.
Da próxima vez que visitarem “El Chorro” não tenham vergonha de juntar ao habitual Kit de expresses, um bom conjunto de friends... grandes incluídos!
Paulo Roxo
Etiquetas: Espanha
Quinta-feira, Abril 16, 2009
Quinta-feira, Abril 09, 2009
Estava a trabalhar quando recebi a notícia por “chat”.
Apesar de imediatamente perceber que era verdade, não consegui evitar a pergunta “Are you joking? You must be joking”
Não me conformo, não quero acreditar!
Por algumas horas pesquisei na net “Piotr Dhaulagiri”. Só por força de ver repetidamente a mesma notícia, é que fui obrigada a admitir que não vou ver mais o sorriso de Piotr (que estava a contar ver este ano algures no Paquistão), a não ser nos meandros das minhas recordações.
O verão passado, eu e o Paulo Roxo tivemos a sorte de partilhar o campo base nos Gasherbrum’s com o Piotr Morawski e o Peter Hamor.
Esta dupla, para além de serem excelentes alpinistas, mostraram ser excelentes pessoas.
Recordo-me das trocas de divertidos SMS ao longo da expedição, do bom espírito com que se mantiveram nos duros dias de mau tempo algures no Gasherbrum I, quando estavam num ponto em que descer já não constituía opção. Soubemos assim, que aqueles dois passaram por um momento de desespero, quando consumiram as ultimas reservas de tabaco de enrolar que levaram para altitude. Salvou-os uma brilhante ideia (ainda hoje não sei de qual dos dois surgiu...não diziam no SMS!), a de fumar as ervas da preciosa bebida que na montanha nos salva a todos da desidratação: chá! A eles, salvou-os de um ocasional ataque de ansiedade.
Piotr...Piotrek para os amigos era quem, pelas noites de campo base discutia os fenómenos de várias religiões com o nosso oficial de ligação. Era quem nos surpreendia com os conhecimentos que tinha sobre os mais variados assuntos. Era quem contava as piadas mais risonhas e as aventuras de montanha mais arrojadas, de uma forma tão humilde, que éramos obrigados a lembrar-nos que aquelas aventuras não eram para qualquer um (face norte do K2 invernal?!). Era quem muito nos fazia sorrir, e quem nos oferecia a tempo inteiro o seu sorriso bonito.
No diário de expedição, estas foram as primeiras palavras que escrevi sobre Piotr “Piotr é alto e bem constituído. O seu sorriso intenso, algo infantil, transmite a ideia de pessoa feliz. De trato fácil e agradável, faz prever que será bom companheiro de viagem”
De facto, a primeira impressão não enganou, ou melhor, enganou ligeiramente porque descobri uma pessoa melhor do que inicialmente imaginei.
O mundo perdeu um grande alpinista, mas acima de tudo um grande ser humano.
Tive vontade de escrever algo ontem, ou dizer mais de Piotr neste texto, mas não consegui, o pensamento mais forte, que não consigo abandonar é simplesmente este: não é justo.
Sexta-feira, Abril 03, 2009
Pequenas adições na Ponta Atlântica

Em Dezembro equipei, melhor dizendo, semi-equipei, uma via num recôndido sector do Cabo da Roca.
O super-equipador Nuno Pinheiro, acrescentou no ano passado, algumas vias na Ponta Atlântica, inaugurando um pequeno sector baptizado com o nome “Garganta atlântica”. São três vias de escalada desportiva com os graus a oscilar entre o 6b+ (salvo erro) e o 7c.
Para aceder ao sector era necessário rapelar e sair por cima.

Maaar!...
Numa visita ao local avistei um possivel alinhamento para uma nova via a começar desde a base das vias da Ponta Atlântica.
Havia lugar para abrir uma linha com dois lances.
No dia 24 de Fevereiro, durante um tranquilo dia de escalada, acompanhado pelo Timoteo, lá conquistei sem encadear e, em bom estilo “Bisonte”, a nova via, ainda húmida das chuvadas de semanas anteriores.

Timoteo no primeiro lance da "Garganta molhada".
O Francisco Ataíde, com quem por um acaso, coincidimos, resolveu dar um tirinho e, muito rapidamente, ficou resolvido o encadeamento da “Garganta molhada”.
“Sim, talvez um 6c+!” – comentou, como resposta à inevitável pergunta acerca da dificuldade da respectiva.
Para o segundo lance da "Garganta molhada" é obrigatório utilizar um camalot nº 3 (ou equivalente) e talvez algum friend mais pequeno, para os metros seguintes. A não ser que se considere que os chorões que infestam o canal sirvam como crash-pad!

Francisco a resolver a "Garganta molhada".
Rapelamos para a baía para desfrutar de mais algumas das agradáveis vias da Ponta Atlântica.
O Francisco resolveu inaugurar uma fina fissura, situada à esquerda da rampa de saída pedestre da baía. A “Micromachine (6b+)”, para a qual serão necessários alguns micro-friends e entaladores pequenos, faz parte de um par de pequenas fissuras que, apesar do seu aspecto convidativo, permaneciam virgens.

Francisco a abrir a "Micromachine".
Em Novembro do ano passado, depois de equipar o top (comum ás duas vias), a Daniela e eu abrimos a “Fissura esquecida (6a)”. Alguns entalamentos de mãos permitem subir esta via, “pequenina mas, ajeitadinha!”
Paulo Roxo
Etiquetas: Cabo da Roca
Segunda-feira, Março 16, 2009
TERRA DO NUNCA

Placa da Nédia.
Gigantesca lastra, tombada numa vertente da Peneda, entre o Soajo e a Nossa Senhora da Peneda.
Antes da aldeia de Tibo, numa curva acentuada da estrada, desde um esplendido mirador é possível observar a maior parede de granito do nosso país.
Desde esse ponto, o acesso parece bastante razoável, básico até. No entanto, um erro de perspectiva não permite avaliar a real distância a que nos encontramos da parede. Quando nos metemos a caminho, apercebemo-nos dolorosamente que as inofensivas ervas que avistáramos desde o mirador se transformam em grandes arbustos, entrecortados pelas sempre simpáticas, silvas.
Dependendo do nível de orientação e capacidade de corta-mato, em duas ou três horas estaremos na base da parede.
Foi o que se passou no mês de Junho do ano de 1997 ao Ricardo Nogueira e a mim.
O nosso objectivo era abrir uma via nova na Nédia.
As características morfológicas obrigaram ao uso de uma técnica mista de escalada. As placas tombadas são a tónica geral na Nédia. O içar de petates tornar-se-ia muito penoso devido ao atrito e à possibilidade de estraçalhar os próprios sacos de içagem. Assim, o primeiro escalava sem a mochila e o segundo subia com os jumares transportando a mochila da cordada.
A “Terra do nunca”, sobe a torre que se ergue à direita da placa principal da Nédia.
Para aceder à sua base escalámos um primeiro lance de terceiro grau de elevado nível botânico, que nos colocou no inicio de uma fissura muito vertical.
Todas as protecções fixas existentes foram colocadas à mão e tratam-se sobretudo de spits de 8 mm.
Após cinco lances resolvemos instalar o bivaque, ou melhor... instalar-nos num bivaque.
Recordo-me de um nicho entre blocos muito apertado até para uma pessoa. Passámos a noite em posições opostas, bem torcidos. Até me lembro de ter dormido alguma coisa, despertando de vez em quando com os pontapés do meu companheiro.
No cimo da torre, abandonámos uma cinta à volta de uma árvore e rapelámos uns vinte metros, para o interior de um enorme canal de arbustos (e árvores). Queríamos aceder ás fissuras e lastras que formam uma evidente meia lua, visível desde a estrada.
Dois largos depois, encontrei-me numa posição de contorcionista tentando colocar um piton. Duas marteladas e este soltou-se, caindo vertente abaixo. Voltei a tentar colocar um novo piton e... este seguiu o anterior, saltitando pela parede. Finalmente, à terceira, lá consegui colocar a desejada protecção. Mas, ao me ajeitar para tomar uma posição mais cómoda encostei o arnés à rocha e, por acidente, soltou-se um mosquetão recheado de pitons. Não queria acreditar. De uma assentada perdera-mos uns 7 pitons de rocha.
Alguns metros mais acima descobri um artefacto. Uma plaquete caseira. Desilusão! Lá se fora a “via nova”. Apesar de não figurar nos croquis que possuíamos acabámos por descobrir que desde o corredor de arbustos alguém tinha acedido à linha onde nos encontrávamos. Pelo aspecto do buril, parecia que já se tinham passado muitos anos desde aquela misteriosa ascensão (anos 70, talvez). Mais tarde fomos encontrando ocasionalmente mais alguns buris, bastante corroídos.
O bivaque seguinte seria realizado já quase no final da via, em hamacas de rede, num diedro que precedia uma fenda larga em “off-width”.
Não sabíamos estar tão perto do final.
No dia seguinte, “conquistámos” a duras penas a ultima fissura da via, culminando a aventura. Ou quase, porque ainda nos faltava uma difícil tarefa... descer!

Nédia. Ficha técnica.
Aproximação: Desde a aldeia de Tibo, duas opções.
- Descer até ao rio, no sentido oposto ao da Nédia. Cruzar a ponte e tomar o trilho na margem esquerda do rio, do lado da parede. O trilho vai-se desvanecendo e a vegetação vai ganhando terreno. A partir daí, continuar de forma instintiva procurando o melhor percurso possível por entre o verde. Entre duas a três horas (ou mais!), consoante a via e o nível de orientação e... resistência!
- Desde Tibo, descer por bons trilhos por entre as culturas, na margem oposta à da Nédia. Chegando ao rio, cruzar a vau (quiçá saltitando pedras) e, procurar o melhor caminho em linha perpendicular ao rio e direito à parede. O mesmo horário que o anterior. Nível de vegetação mais reduzido que o anterior.
Descida: A descida, tal como a aproximação, é um aspecto fundamental (até decisivo) a ter em conta, quando se planeia uma qualquer escalada na parede da Nédia.
Existem duas opções de descida, nenhuma delas rápida.
- Descer a vertente de vegetação da esquerda para quem está voltado para a parede. O caminho... não existe! Necessário buscar o melhor percurso “zigue-zagueando”, contemplando a possibilidade de ter de realizar algum curto rapel em árvores, de forma a saltar algum bloco mais alto. Esta foi a opção que adoptámos depois da abertura da “Terra do nunca”. É uma opção morosa que requer uma boa dose de aceitação e paciência.
- Chegando ao topo da Nédia, cruzar toda a linha de cumeada até encontrar um colo, desde o qual se avista a parede da Meadinha e a aldeia de Nossa Senhora da Peneda. Não cair no erro de tentar descer a linha de água que parte desse colo para a esquerda. Muita vegetação e forte possibilidade de um tipo se perder. Passar o dito colo e, pouco depois, encontrar o trilho que desce para a aldeia. Esta opção requer uma viatura em Nossa Senhora da Peneda ou, uma boleia para Tibo mas, é talvez a opção mais cómoda e com o atractivo de se obter umas vistas esplêndidas da Serra da Peneda.
Para qualquer das opções contar com um mínimo de duas horas.
Terra do nunca.
Estratégia de ascensão:
Para a “Terra do nunca” contar com dois dias (cordada normal!). Ou um dia muito longo, com a certeza de um final nocturno.
Uma boa estratégia pode ser, realizar a aproximação no inicio do primeiro dia, escalar o primeiro lance de III vegetal e instalar o bivaque numas plataformas situadas uns quarenta metros à direita da via. Escalar mais dois lances e fixar as duas cordas.
Na madrugada do dia seguinte, jumarear as cordas fixas e continuar a escalada com horas de luz suficientes para realizar a descida ainda de dia.
Esta opção implica transportar o material de bivaque ao longo da escalada e adicionar os jumares ao material necessário.
Futuro.
Uma bonita actividade pode ser a tentativa de ascensão “em livre” integral da “Terra do nunca”.
Sem uma única repetição, o grau de artificial da via tem a ver com o facto de termos sido obrigados a suspender-nos para colocar a maioria dos pontos fixos. Como o segundo de cordada subia pela corda com os jumares, para ser mais rápido, não chegámos a descobrir o grau “em livre” de muitos dos passos.
Há alguns anos voltei com o Ricardo Nogueira e abrimos três lances de uma nova via, que entra mais ou menos pelo centro da parede. Esta linha encontra-se em projecto e conto voltar para a completar.
A Nédia encerra possibilidades óbvias mas, a sua complicada logística de preparação, aproximação e retirada, em conjunto com o perfil de placa tombada, conspiram contra o apelo a novas aberturas ( e mesmo repetições!).
Todas as condicionantes fazem desta parede uma das mais remotas da nossa geografia.
No fundo, esses são os factores que transformam a escalada da Nédia numa memória indelével.
Paulo Roxo
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