EDELWEISS UP-DATED... E OUTRAS COISAS!
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A Meadinha.
Em Outubro de 2008, a Daniela e eu abrimos uma nova via na parede da Meadinha.
A Edelweiss foi aberta desde baixo, com a utilização da máquina para colocar os poucos pernes existentes. Estes foram colocados “à frente” içando a máquina com uma cordeleta de apoio.
Pouco tempo depois, soubemos que algumas semanas antes da nossa abertura, tinha sido inaugurada uma via que coincidia com a Edelweiss no final do terceiro lance. Tratava-se de um antigo projecto do Pedro Pacheco com o nome de “Via Norte” e ainda não referida nos croquis da Meadinha.
Por ignorância, acrescentámos dois pernes na Via Norte. Um, numa pequena placa final do terceiro largo e o outro na terceira reunião.
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A aldeia de Sra da Peneda, lá embaixo!
A manhã do dia 1 de Maio viu-nos a subir a fantástica escadaria de pedra que, por entre o denso bosque permite aceder à base da parede da Meadinha.
Pretendíamos repetir a Edelweiss, com um triplo objectivo: retirar as plaquetes “invasoras”, forçar a via em livre rectificando o grau de dificuldade e (sobretudo) desfrutar uma vez mais desta magnifica parede.
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A Daniela a iniciar a via S.
Após a nossa abertura, a Edelweiss foi repetida por escaladores galegos que a realizaram integralmente em livre e... decotaram a via, “a pique”!
Dizem que as placas técnicas são a coisa mais difícil de cotar no mundo da escalada em rocha. A nossa percepção inicial conduziu-nos a propor um determinado grau à Edelweiss. Para além de ser uma via de características tipicamente “a la Peneda”, com as sempre presentes trepadas nervosas por cristais salientes, estávamos a abrir via, o que pressupõe uma maior dificuldade de análise e conclusão das dificuldades. Por outro lado, o grau está longe de ser uma estrutura rígida e a sua consolidação resulta de um consenso de opiniões dos repetidores.
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Vistas sobre o "Pequeno half-dome".
Sabemos que alguns escaladores de Vigo e outra malta do norte de Portugal estão muito acostumados a este tipo muito particular de escalada. Daí, nem sequer constituir uma surpresa por aí além o facto de terem decotado tanto a via (num dos largos, do 6b para V+/6a!). Para mim é perfeitamente compreensível. Estes tipos, são de facto os locais e estão mesmo à vontade no reino do cristal!
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Uma cordada na via "Meadinha".
Como era de esperar, a nova ascensão da Edelweiss correu-nos de uma forma muito mais fluida e a via foi totalmente encadeada em livre.
Na curta placa final do terceiro lance, comum com a Via Norte, onde por desconhecimento tinha colocado uma plaquete, realizei os passos sem proteger na chapa e, posteriormente desequipamos a secção. A plaquete da reunião também foi retirada. É possivel montar esta reunião com friends ou utilizando uma cinta à volta de um grande arbusto oportuno.
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Daniela antes de iniciar a via "Meadinha".
No ultimo largo, apenas interessante para quem queira muito realizar “toda” a Edelweiss foi equipada a reunião com uma (!) plaquete de argola.
A linha de rapel a adoptar coincide com a via “Aplaudeme Nena”, com a possibilidade de se apanhar outras reuniões, de outras vias.
A Edelweiss é uma via de grau mais ou menos acessível mas, exposta. No segundo lance encontramos um “run-out” considerável num esporão de escalada relativamente fácil mas desprotegida, não só para o primeiro, como para o segundo da cordada que, no caso de queda se arrisca a rebolar pela esquerda ou direita da aresta. Assim, é de todo conveniente afrontar esta via com o nível psíquico consolidado no granito da Peneda.
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Por outro lado, no fim de semana de 1 de Maio, a Meadinha recebeu a visita de alguns ilustres “mouros” da nossa comunidade, que se deleitaram com a “escalada do cristal”, resultando na repetição de algumas vias emblemáticas, como a “Autopista”, a “KK deluxe”, a “Come-cocos” e alguns outros largos, mais... alternativos! Alguns enganos conduziram à repetição de alguns lances raramente escalados.
O Nuno Pinheiro, avança para o que pensava ser o segundo lance da KK deluxe, realizando, na verdade, a via “Cálice do Porto”, recentemente escovada e aberta pelo Alberto Teixeira e o Paulo Pereira, em 1987. Esta é uma das vias da Peneda com fama de comer poucas protecções e “run-outs” tremendos. O Nuno descreve a façanha como uma escalada exposta de escassas peças e com uma placa final que “pode chegar ao 6b+” (da Peneda!!).
Os recentes croquis da Meadinha não apresentam ainda o grau para esta via.
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Sergio "abismado" na "Come-cocos".
No dia seguinte, o “Bau-bau” ainda bastante cru na arte de lidar com a quinquilharia (era a primeira vez que escalava “à frente” com friends!), resolve atacar o primeiro lance da “Come-cocos” mas, após ultrapassar a arvore (!) inicial desvia-se da fenda de entalamentos de mãos e entra de chofre (absolutamente equivocado!) no “Off-width” da via “Roy”. A fenda revela-se larga o bastante para um cenário de esfoliante de pele. As protecções transformam-se de súbito NA protecção protagonizada por um singular friend dos grandotes a ser arrastado, de uma forma já clássica, fissura acima. Terminus na reunião com um cheiro a suor fora do normal. O cheiro do medo!
Um BRAVO para o “Bau-bau”!
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Eu, na "Dias de lluvia", sem utilizar qualquer das plaquetes instaladas... excepto o top, claro!
Entretanto, a Ana Silva e a Isabel Boavida, partilharam a liderança na espectacular Autopista, com o sr. Emilio a dar o seu melhor “20 anos depois” da sua ultima visita à Meadinha, num tempo em que os friends eram mais valiosos que diamantes e as plaquetes eram caricas de coca-cola.
Inspirado pelo retorno, o Emilio contou para aí umas cinco ou seis vezes a sua longínqua aventura na “Directa dos tectos”, em que subiu o primeiro largo da via, todo borradinho. Como segundo de cordada o Paulo Gorjão escalou o lance em livre... de preconceitos e exclamou: -Olha Emilio! Só vim aqui para te dizer que se quiseres continuar, vai sozinho! Eu... vou para baixo!
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Paulo Roxo
4 Comments:
Grande fim-de-semana!
A saída do tecto da "come-cocos" justifica o nome da via... continuo a não ter memória do tal cristal que permite passar um cordino, tenho que lá voltar para confirmar.
A ver se na próxima visita vamos a "EDELWEISS".
Abraço
Sérgio e Natália
E assim mesmo Roxo, a ver se a malta faz outro encontro da Velhada.
Aquele abraço
João Animado
E assim mesmo Roxo, a ver se a malta faz outro encontro da Velhada.
Aquele abraço
João Animado
Afinal tou a ver que malta polémica ha por todo o lado, não é so pelas nossas bandas!
Esse pessoal que se preocupe mais em escalar e menos com essas paneleirices...
Um abraço grande e força aì
Spagurja
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