quarta-feira, julho 18, 2018

Fui Enganad...

FUI ENGANAD... 
(a falta da última letra foi propositada!)



A Meadinha! Sempre magnífica!


Já não íamos à Peneda há uns anitos!
Apesar do calor que se previa para aqueles dias, a saudade provocou toda uma série de justificações para fundamentar a viagem. A Berlingo encontrava-se de novo “no activo” e isso servia como uma motivação extra. A anterior viagem a El Chorro motivou uma recuperação radical da viatura. Deixara de ser uma deprimente carrinha de trabalho para renascer como uma feliz micro-caravana! Com as pernoitas devidamente asseguradas, deixava de existir qualquer desculpa para não voltar a visitar a bela parede da Meadinha.
O calor fazia das suas. O plano era voltar a um velho projecto abandonado, situado no flanco direito da parede de granito, o sector “mais tuga” da muralha, já batizado por um reduzido grupo de adeptos como “O Legado”.


A Daniela a terminar o primeiro lance da nova via. Escovagem espartana!


Aquando da primeira tentativa de abertura da nova via, há uns anos atrás, tinha reparado num alinhamento de diedros relativamente escondido dos olhares gerais. Tratava-se de uma esquina obscura, de aspecto lúgubre e pouco convidativa… portanto, um lugar perfeito! Um outro aspecto ajudou à decisão de tentar aquela via em específico: encontrava-se numa secção da parede que recebia a tão desejada sombra mais cedo que os restantes sectores.


Os peculiares diedros finais, atípicos na parede da Meadinha. Morfologias rochosas mais comuns na Serra da Estrela


As placas iniciais foram “negociadas” rapidamente. O grau mantinha-se em valores baixos e o mal-amado musgo saía com facilidade. Durante a escalada dos primeiros lances estávamos expostos à insolação mas, as temperaturas não eram realmente altas. Desta forma, o nível de aderência mantinha-se numa razão de proporcionalidade inversa ao nível de sofrimento provocado pelo aperto dos pés-de-gato. Abreviando: boa aderência e pés pouco inchados apesar do calor!
Chegados a uma grande plataforma/jardim que permitiu o típico “lanche de meia-actividade”, iniciámos o tal sistema de diedros “lúgubres e pouco convidativos”.


Na saída do último lance. Não, não é um tepui na Venezuela!


A "negociar" o último diedro. Aqui, estou a tentar passar em livre... pouco depois, passei aos "pedais"!


O início molhado (tinha chovido no dia anterior) e a quantidade de musgo reinante (perfeitamente “escovável” por potenciais futuros candidatos) impediu uma completa realização em livre da escalada. Ali fica um projecto para quem queira escalar dois lances atípicos da Meadinha, constituídos por uma sucessão de diedros ligeiramente extra-prumados que permitem a protecção perfeita e “a la carte”. Só requerem "alguma" limpeza.


Mais uma perspectiva da Daniela no último lance. Uma salada curiosa.


No topo, uma vez mais, celebrámos o final de uma nova escalada a juntar à lista de vias já existentes no improvável sector “O Legado”.
Ali fica a “Manatim Enganado”, para deleite (veremos!) dos admiradores da espectacular e sempre impressionante parede da Meadinha.

Paulo Roxo


Os Topos






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