quinta-feira, janeiro 18, 2007

MEADINHA

Algures no ano passado, num caricato texto acerca da via “Terra de Ninguém” e da imponente parede que ela percorre (Picón La Carrocera), situada em território Espanhol mas a escassos metros da fronteira com o nosso país, o Paulo referia-se como sendo a “A maior parede Portuguesa…em território Espanhol”.

Seguindo a mesma lógica de raciocínio, perdoem-me os mais cépticos mas não hesito em afirmar que a Fraga da Meadinha é incontestavelmente a “Melhor parede Espanhola…em território Português!”

Localizada em pleno coração da Serra da Peneda, a Fraga da Meadinha eleva-se provocatoriamente no alto daquela encosta, não deixando indiferente qualquer peregrino que por ali passe em visita ao Santuário da Nossa Sra. da Peneda. Mas, desde há mais de três décadas que também não deixa nada indiferente a outros devotos destas paragens. Peregrinos sem profeta, transformaram esta bela parede de característico e pardo granito num santuário de escalada em rocha.

Escaladores Galegos criaram e desenvolveram este pequeno paraíso onde apenas fugazmente algum escalador luso sobressaiu na sua vertical história. Ainda hoje são eles, os nossos vizinhos que na maioria, bem ou mal continuam a deixar o seus esforços nesta Fraga, abrindo, equipando reequipando, escovando…mantendo viva esta pequena grande pérola e onde cordadas Galegas, Lusitanas e porque não Luso-Galegas desfrutam horas a fio da peculiaridade desta maravilha.

Nos passados dias 13 e 14 podemos desfrutar de mais um grande fim-de-semana a trepar grandes vias nesta grande e belíssima parede. Entre todos (éramos 5, em duas cordadas) escalámos as clássicas vias “S”, “Autopista”, “K.K. de Luxe” e “Come – Cocos”, enquanto outras cordadas percorriam inúmeras vias mais.

M.Grillo

Sra. da Peneda

Fraga da Meadinha
Via «Come-cocos» e «S»

1º largo da «S»

1º largo da «S»

2º largo


2º largo



3º largo da «S»



4º largo da «S»

Cordada na «Autopista»

Ainda 4º lance da «S»


1º largo da «Come-cocos»

3º lance

Cruzando o tecto do 3º lance (A1 equipado, 2 passos) da «Come-cocos»

Tremenda placa do 4º lance


Bruno Gaspar, Chus Lago, Daniela Teixeira, Paulo Roxo e Miguel Grillo

13 Comments:

sesa said...

Excelente parede!
já ouvi rumores de placas infinitas e runouts abissais. Abraço.

Anónimo said...

Bela parede não há dúvida. Este ano passei por lá de férias e adoraria ter tido tido oportunidade de a escalar.
RicardoC

Isabel said...

As vias têm muito boa pinta e a parede nem se fala!!

Ainda não foi desta que me juntei a vocês e já estou meio arrependida... :)

Apertem!

Pereira said...

Meadinha em pleno Janeiro.
RPPD sempre a quebrar mitos...

P.R. said...

Olá.

De facto, a melhor época para se escalar na Meadinha é mesmo o Inverno.
Também aqui (leia-se: sobretudo aqui!) a aderência têm uma importância crucial de forma a reduzir o factor "Cagaço".
Com frio deixamos de sentir um verdadeiro terror, para sentir apenas... medo!
No entanto, devo dizer que os recentes "reequipamentos" reduziram bastante o factor "C" em algumas das vias. E, novas vias forma abertas nos ultimos anos o que, de certo modo, serviu para "comercializar" um pouco mais a Meadinha.
De qualquer modo, ainda continua a ser obrigatório juntar ao equipamento necessário um exame prévio ao coração e um pacote bem nutrido de fraldas.

Visitem a Meadinha. Este local emblemático e cheio de historia não os irá desiludir.

Paulo Roxo

António Espinha said...

haverá escarpas em Portugal que possam ser deixadas em paz, sossegadinhas, como se últimos redutos de um mundo intocado pelo Homem, não se esqueçam que quando deixar de haver desafios a escalada perde o seu misticismo, desbravar mais um local remoto, desventrar mais um segredo,..

Pereira said...

Caro António Espinha,
O comentário que apresenta parece induzir a ideia de que os autores do RPPD esgotam recursos "escaláveis" e por informarem do que fazem roubam mística e encanto aos locais.
Posso assegurar-lhe que da minha parte, que ainda me considero escalador "activo", não estou a conseguir repetir todas (nem sequer umas poucas) vias que este trio tem aberto e disponibilizado. Como eu, a grande parte dos escaladores não conseguirá repetir tantas vias em tantos locais diferentes, como, aliás o não têm feito. Há quem tente. Mas requer tempo. Assim, com tão poucas repetições será difícil que se perca totalmente a carga "psicológica" própria das paredes "selvagens". Porventura mesmo na tentativa de repetição de alguma via, por vezes o "respeito" aumenta assim como a humildade.
A este grupo, deu-lhes para divulgar "um pouco" do que fazem.

O seu juízo, caro A. Espinha, creio que resulta do facto de aqui se ter demorado e apercebido que são de facto um grupo muito activo. Talvez lhe tenha passado a ideia de que há muitos mais trios como este pelo país fora, e mais blogs a relatar as suas aberturas de vias pelo país fora. Como sabe, não há assim tanta gente a envolver-se neste tipo de actividade (escalada clássica e/ou artificial). É que, trata-se de um tipo de escalada que exige um pouco mais em termos de aceitação de risco. Risco que felizmente para uns ou infelizmente para outros não é tão aceite pela generalidade de praticantes.
Se os autores deste blog não informassem de nada do que fazem nem aqui nem por outra forma não significaria que a actividade deles não existia. Seriamos tentados a pensar que cada falésia que subimos ou "cobiçamos" seria absolutamente "virgem"... embora não o sendo, visto que já eles ou outros a teriam cruzado, em alguma época remota.
E não só de novas aberturas aqui têm falado, também de repetições de vias que são património histórico da escalada em Portugal, vias que o tempo encheu de mística como Anamão, Cutelo de Pias e Rocanegra, que este trio aqui veio lembrar. Caro António Espinha, consegue sentir agora nestes nomes a outra mística evocada por estes simples topónimos e pelos autores das suas primeiras ascensões? Consegue compreender que o misticismo e o encanto do segredo não desaparece completamente, antes assume outras facetas? Vias e Nomes como Mummery, Walker, Croz são desprovidos de significado no que hoje representam no maciço onde se localizam? Umas vias abertas por uns Pachecos ou uns PaulosAlves, no nosso país ficariam melhor no silencio e no olvido?

Tentando responder:
"Haverá escarpas em Portugal que possam ser deixadas em paz? Sim muitas.
Para alívio dos espíritos mais poeticos e ilusos: a maior parte dos aflorammentos rochosos da Serra Arga, Cerveira e de Trás-os-Montes, a maior parte dos afloramentos rochosos da Beira Alta; à excepção de 2 ou 3 sítios, todas as arribas da costa litoral Oeste, à excepção de 4 ou 5 confinados locais, toda a costa Vicentina e a quase totalidade da costa Algarvia, As margas dos Arrifes do Alqueidão; os monumentais desniveis da Madeira; Uma imensidão de afloramentos diversos pelo país que pela reduzida dimensão, excesso de vegetação ou fraca qualidade da rocha, simplesmente não se adequam ao tipo de escalada que se tem praticado e divulgado pelo mundo actual; e ainda as fragas que embora tendo excelentes condições, alguém no uso de poder, achou por bem interditar porque "tem que ser".

Caro António Espinha, na verdade acho que até preza o que este pessoal do RPPD publica. Pois não tema. Faça como eu quando não posso ir escalar. Recline-se na sua cadeira e aprecie os passeios que estes "camaradas" vão contando. Vá prometendo a si mesmo que irá repetir todas essas vias. O mais certo é que acabe mesmo por subir, pelo menos a uma.
Queira desculpar se uso uma variante do slogan do extremistas de direita mas, há medida que o tempo passa cada vez acredito mais nisto: ESCALADORES SEM MEMÓRIA SÃO ESCALADORES SEM FUTURO.

FP

P.R. said...

Muito obrigado Fernando pela tua mensagem de apoio e opinião.
No entanto, não consegui entender muito bem o sentido da mensagem do António Espinha.
Bem, queria apenas dizer que, para mim -e creio que para os companheiros deste Bloguinho- a verdadeira essencia (e misticismo) da escalada passa muito pela exploração e pelo desconhecido. Por isso, a nossa busca pelos "locais remotos", respeitando e apreciando sempre, claro está, a Natureza e filosofia locais.

Paulo Roxo

antonio espinha said...

Caros Fernando e Paulo

obrigado pelas vossas respostas e esclarecimentos, o meu objectivo não era criticar o blogg nem as vossas actividades, estava de viagem pela bloggoesfera quando vos encontrei, os conteúdos estão óptimos, e deixei a minha opinião sobre essa certa nostalgia de assistir à "conquista" dos últimos redutos quase intocados pelo Homem aqui na pátria Lusa

quero aqui assinalar o vosso, enorme, mérito quer como dinamicos escaladores que fazem e perseguem activamente aquilo que gostam, mas também porque publicam as vossas façanhas, e que façanhas, mostrando assim o nosso Portugal selvagem e de paisagens maravilhosas

não sou escalador, apesar de já ter feito um curso e de já ter andado pendurado em fragas transmontanas, considero-me um amante da natureza que adora passear na montanha, ou em terrenos montanhosos,

acerca da perda do misticismo e do encanto, ainda que concorde com os vossos argumentos de que são poucos os escaladores em Portugal, e que há ainda muitas escarpas, como sabem o nosso país não é propriamente enorme em área, nem tampoco é extremamente montanhoso, e penso que concordam que os últimos recantos de paisagens maravilhosas naturais (onde o silvestre domina sobre o antrópico), são cada vez mais escassos, mais vulneráveis e mais frágeis

há de facto grandes ameaças a esses espaços: estradas, mais e mais casas, barragens, linhas eletricas, incêndios, o turismo de massas, as pistas de ski (algo inexplicável em Portugal .......), parques eolicos, etc, esses são de facto os grandes factores da sua destruição como paisagem e como excossistema(veja-se claramente o caso da Estrela)

os escaladores, montanhistas, praticantes de canyoning e de canoagem de rápidos, parapentistas, etc, etc, são na generalidade uns dos defensores da montanha selvagem, não tenho a mínima dúvida disso,

já sei disso tudo e é isso que de facto interessa (estamos sintonizados acerca de respeito pela natureza), no entanto, tenho curiosidade em saber é se algum de vocês se negava a subir ou descer a um determinado afloramento rochosos (bastante apetitoso em termos de escalada) só pelo facto de por exemplo ser o último reduto de uma espécie da fauna e da flora... (havendo de facto riscos pela presença de uma via de escalada usada com alguma frequencia)

se a resposta é não, há de facto aqui um aspecto em que divergimos e não se passa nada,
se a resposta é sim
têm que admitir que também na escalada há necessidade de definir aquilo (do pouco que resta) que pode ou não ser palco dessa actividade


abraço

António Espinha

Anónimo said...

Caro Antonio Espinha.

Em resposta à tua questão:
"se nos negavamos a subir algum afloramento rochoso, caso fosse o ultimo reduto de uma determinada especie".
Falo por mim e, um pouco pelos companheiros deste blog, uma vez que por escalarmos juntos já nos conhecemos.
Não somos santos mas, a resposta é sim.
Embora existam por aí alguns que não acreditam nestas palavras, a verdade é que tentamos respeitar (dentro do nosso conhecimento limitado) o local que visitamos.
Dou alguns exemplos como Góis, St. Luzia (algumas vias) e Douro Internacional, onde, de facto, existem espécies em nidificação e, onde respeitamos o periodo em que os passarinhos estão a namorar(!).
Por outro lado, e agora falo mesmo por mim, tento NÃO respeitar (de forma militante) proibições absurdas e descabidas. Em geral, aquelas proibições cuja explicação é: "proibido porque sim!" Essas, aconselho toda a gente a desrespeitar!
E, a desrespeitar porquê?!
Porque sim!

Um abraço.

Paulo Roxo

miguel grillo said...

Ao António Espinha,

Como membro deste recanto cibernetico a que chamamos Rocha Podre e Pedra Dura, tenho olhado para os seus e posteriores comments com alguma paciencia para ver onde é que isto iria dar. Para ver se uma vez mais a história se repetia e/ou para tentar compreender ao cerco as ideias expostas.

Mas hoje decidi contestar aos seus comentários e à sua pertinente e curioda questão.

Vou tentar resumidamente focar-me nos parágrafos do seu ultimo comment que a meu ver merecem o meu comentário:

Paragrafo 1:
O nosso blog ao ser publico está aberto a qualquer tipo de critica, consideração e opinião.

Paragrafo 2:
Obrigado pelos elogios. É bom saber que que há quem goste dos nossos posts e dos conteudos neles publicados.

Paragrafo 3:
Ora aí está algo que todos temos em comum. Viva as montanhas, o seu encanto e toda a sua riqueza natural.

Paragrafo 4:
Sem duvida. Cada vez os espaços verdadeiramente selvagem são mais escasso. Por isso tentamos ao máximo arranjar um equilibrio ambiental entre alguma nova acção de "exploração" e a fragilidade do local. Mas, tenho a certeza que o principal vector de humanização e consequente degradação desse locais não são certamente os escaladores.

Paragrafo 5:
Ainda bem que tem a noção dos "verdadeiros" atentados ambientais. Esta sua opinião neste paragrafo vem reforçar a minha propria opinião no ponto acima.

Paragrafo 6:
Mais uma opinião de que eu partilho. Apesar de cada vez mais haver praticantes menos respeitosos das questões ecológicas, culturais e sentimentais das montanhas, continuo a crer que a maioria dos praticantes são uns dos maiores defensores das montanhas e da liberdade que elas representam.

Paragrafo 7:
Satisfazendo a sua curiosidade, respondo SIM. Já por várias vezes abdiquei de certa paredes pelos motivos por si referidos. Como também respeitamos profundamente a época de nidificação em determinadas falésias por sabermos e/ou ser evidente a sua necessidade.

Paragrafo 8:
Ao ser a minha (nossa) resposta um SIM, parece que estamos ambos de acordo. Mas...embora eu admita a necessidade de certas regulamentações, não admito que a definição das áreas que possam ser palco das nossas actividades sejam simplesmente proibidas por pessoas sem o minimo de conhecimento e sensibilidade para esta questão e sem o minimo consideração e total desrespeito por todos os agentes intervenientes destes espaços (populações, utentes, etc) e pela ousadia (que o poder institucional) de pensarem e tratarem os espaços naturais como ilhas isoladas e tentarem fazer de todos os outros uns perfeitos ignorantes. (pensando melhor talvez essa ousadia provenha do tal poder intitucional mas também de uma aguda falta de intelegência)

Espero ter sido o suficientemente claro na exposição dos meus pontos de vista.

Miguel Grillo

António Espinha said...

Caro Miguel

estou esclarecido, boas aevneturase melhores artigos


António Espinha

bolufe said...

Oi,

sei que o blog nao eh exatamente para isso, mas como nao tenho o end. eletronico de nenhum de vcs...

Sera que poderiam me enviar um croqui das vossas vias no Peq. Half Dome? Aquele que antigamente estava no Socurtir.

bolufe<>gmail.com

Obrigado,
Luciano