quinta-feira, janeiro 07, 2010

EL CHORRO. NOVA VIA-ZITA.

EL CHORRO. NOVA VIA-ZITA.

O "Bigwall" de El Chorro e as famosas covas das desportivas mais clássicas.

Benga aí!”

O grito interrompeu o meu pensamento: “Demasiadas tapas em Malaga!”


A Catedral de Malaga.


A mão direita numa pequena “reglete” horizontal formada por uma lasca de rocha de aparência pouco recomendável e dois dedos da mão esquerda metidos num pequeno buraco oportuno, agarravam-me ao mundo da ressaca pós-passagem de ano.

O friend numero um protegia-me de um potencial voo que, parecia querer concretizar-se.

“Estais abriendo via, no?!” Retomou o Espanhol que nos observava do cimo da via “Navegador”, situada nas “Escaleras suizas”, um dos sectores com melhores vistas de El Chorro.


"Escaleras Suizas". A "Via-Zita" encontra-se no extremo direito da foto.


“Si!” Respondi sem fornecer mais detalhes, não fossem as palavras desequilibrar-me lançando-me ao vazio.

A Daniela, assegurava-me com atenção, uns trinta metros mais abaixo, suspensa na reunião.

Acima da minha cabeça a escalada parecia delicada. A aparente falta de presas e, sobretudo, a falta de fissuras ou reentrâncias decentes para colocar alguma peça de material dissuadiam-me de continuar.

Os minutos iam passando e os gémeos iam cedendo.


Iniciando o primeiro lance.


A Daniela no primeiro lance.


De repente, o olhar tropeçou numa diminuta ervinha de três folhas que emergia da placa lisa de calcário. Os dois dedos da mão esquerda pressionaram a pequena presa com mais força. A mão direita desceu sobre um mosquetão que transportava alguns pitons de rocha. Empunhando um pequeno piton “V”, como uma navalha, espetei-o no pequeno buraco que a ervinha escondia. O piton ficou equilibrado sobre a sua ponta, o tempo suficiente para permitir aceder ao martelo e... Ping! Ping! Ping!

Soprei com alívio. De espirito renovado, lá me comprometi com os passos seguintes.


A fissura do segundo largo. Intensa e bonita.


A Daniela juntou-se a mim na magnifica reunião constituída por duas pequenas árvores.

Para cima tínhamos um terceiro lance vertical, de aspecto “disfrutón”, que conduzia à aresta final.

Para baixo ficara o segundo largo, uma linha imaginária de movimentos técnicos sobre uma linha real de fissura fina de detalhes complexos e de difícil protecção. O “must” da nova via.


No ultimo lance, a retirar os "amigos".


Ultimo lance.


“E agora? Para cima ou para baixo?”

Tínhamos alcançado o final das dificuldades mas, a aresta continuava por mais uns 100 metros, em terreno muito mais tombado, sinuoso e de aspecto alpino. Se tivéssemos transportado as sapatilhas continuaríamos para cima, para contornar o maciço e retornar a pé. Mas, as sapatilhas repousavam na base da parede assim que, a decisão foi rápida e inevitável: “Para baixo!”

Preparámo-nos para os rapeis.

Agora, o dourado reflectido das paredes, resultado do pôr-do-Sol eminente, contrastava com o azul intenso do céu limpo.

Ao fundo, no cimo da serra observavam-se outros aventureiros, estes voavam por debaixo das suas coloridas asas de parapente. Entre nós planava um abutre, senhor do seu território e, indiferente à nossa satisfação por termos conseguido escalar esta nova via, no magnifico e, todavia surpreendente, EL CHORRO.





VIA-ZITA. 175 mts 6b/c

Paulo Roxo e Daniela Teixeira em 2/1/2010


No primeiro lance será necessário ter especial atenção a alguns blocos instáveis, situados no ultimo terço da via.


O segundo largo de rocha bastante decente, cruza uma “espécie” de fissura fina, que se avista claramente desde o solo, por cima de um diedro amarelo em diagonal. Trata-se do lance mais bonito, compacto e... difícil.


O terceiro lance entra por um diedro muito evidente. Depois, convêm ir “zigue-zagueando” um pouco, buscando a linha de maior fraqueza e, melhor rocha.


O quarto largo segue o fio do esporão evidente. Interessante para quem deseja “conquistar” o cimo do maciço.


Material: Cordas duplas de 60 metros, conjunto de friends e micro-friends, entaladores, cintas ou cordeletas para abandonar (em caso de rapel pela própria via) e, claro... o capacete!


Nota: a Via-Zita é uma singela homenagem à espectacular avó da Daniela.


Paulo Roxo



2 Comments:

Anónimo said...

Boa!!! Ao menos há bom tempo em algum lado do mundo, e dá para belas actividades!!
Aquele abraço
João Animado

Unknown said...

EL SABADO 20 DE ABRIL REPETIMOS LA VIA. ENHORABUENA POR LA APERTURA.EXCELENTE ESTILO.UN SALUDO.