segunda-feira, fevereiro 22, 2010

TENTATIVA AO GASHERBRUM VI AMERICAN ALPINE JOURNAL

TENTATIVA AO GASHERBRUM VI
AMERICAN ALPINE JOURNAL

Há uns meses atrás fomos contactados pelo American Alpine Journal, que nos pediu informação sobre a nossa tentativa ao Gasherbrum VI.
Pouco depois, foi com muito agrado (pronto, está bem...e com uma enorme "pontinha" de orgulho!) que nos disseram que iriam publicar na edição referente a 2009, a linha que tentamos.



Como eles se definem e como são conhecidos no meio:
"Published annually since 1929, the American Alpine Journal is internationally renowned as the finest publication of its kind—the world’s “journal of record” for documenting significant climbs. In the feature Articles we hear directly from those who have made many of the most impressive first ascents of the year—the big routes that will become tomorrow’s legends. And in Climbs & Expeditions Reports we learn from those who have explored and climbed in most of the world’s mountain ranges, both great and small. The American Alpine Journal is a climber’s first stop in researching mountaineering objectives."

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Powershot A720IS

Powershot A720IS


Gear for fun!

Sexta-feira, estou dentro da mochila e com pilhas novas, à espera que aqueles dois se decidam a sair de casa. Pelos comentários imagino que provavelmente não irei resistir ao frio esperado na Serra da Estrela. Estou determinada a dar o meu melhor, mas não sei se consigo fotografar um dia seguido com temperaturas que podem atingir os -10º!

Sábado toca o despertador e parece que a minha dupla não quer sair do quentinho dos lençóis, algures na Covilhã, mais ainda quando o Paulo abre a janela e vê uma espessa nuvem no alto da serra. Com esforço, decidem-se a vestir as múltiplas roupas que a actividade exige e ainda meio ensonados conduzem em direcção à curva do Cântaro, pouco seguros do que fazer. Finalmente a decisão: “Paramos o carro lá em cima, descemos pelo corredor largo, fazemos todas as cascatas que nos aparecerem pela frente e terminamos com a Cascata do Inferno ”... parecia um bom plano, talvez um pouco ambicioso, mas um bom plano.


O Cântaro.

Saímos do carro no meio da névoa. O termómetro marcava -10º e a suave brisa gelada que soprava era suficiente para pintalgar de branco as mochilas e as pestanas, que ao piscar quase se colavam!

Rapidamente chegamos à “Cascata das Couves” que aparentava estar em excelentes condições.

Em pouco tempo, o som dos piolets cantava no gelo. Através da minha lente vi-o ali empoleirado, com o ar mais feliz do mundo a gritar “ O gelo está excelente!”. A ela, sentia-lhe a ansiedade. Enquanto assegurava, tentava atabalhoadamente fotografá-lo. Pouco depois estavam pendurados na “Diedro de Cristal”, por essa altura já o sol iluminava um esplendoroso céu azul e eles berravam um para o outro em tom de gozo, “What a glooooorious day!!!”



Chegada a vez da Daniela, ela passou-lhe carinhosamente o casaco de penas, para que ele, ao dar segurança, não gelasse até aos ossos e foi aí que...como resultado de um bolso por fechar, saí disparada a escorregar pela vertente. Via-os cada vez mais longe, mas nem por isso me pareceram muito preocupados com o meu destino. “SPLASH!” Caí desamparada numa ribeira. Encolhi-me na minha bolsa protectora que sentia cada vez mais húmida e fria. Percebi pelas conversas que ouvia à distância que não me viriam buscar de imediato...fiquei confusa, não era eu uma mais-valia? Não quereriam eles as fotos das cascatas anteriores?

Com o passar dos minutos, tive de me conformar com a minha (má) sorte, ao longe escutava apenas o som dos piolets a cravarem-se no gelo.

Estava eu já sem esperanças de sobreviver, quando escutei o ruído de crampons na neve dura, a virem na minha direcção. Eram eles! Só agora vinham à minha procura. Entristeceu-me perceber que ainda assim nem falavam de mim, a sua preocupação era saber como estaria a próxima cascata.



Após o meu resgate, escalaram a custo a difícil “Canalito” e longos minutos depois, subiram uns calhaus e avistaram uma grande cascata ainda fina. Não ia ser desta que a Daniela teria a sorte de fazer a jóia da Estrela, a “Cascata do Inferno”.

Mas ainda havia por ali gelo para subir e aqueles dois estavam imparáveis! Rápida e avidamente, dirigiram-se para a “Cavalo de gelo”, que por se apresentar mais técnica que o normal, ainda deu algum trabalho.



Duas perspectivas da "Cavalo de gelo".


Como se não lhes bastasse, com a noite a aproximar-se rapidamente, decidiram sair pelo “Corredor do Cavalo”, bonita via com alguns ressaltos empinados e um final em neve excelente, a “4 patas”!



O "Corredor do cavalo" para terminar o dia.


Chegaram ao carro já de noite, felizes e a desejar mais dias assim.


"...à bomba!"


Os “mais dias assim” vieram logo no dia seguinte!

O Domingo começou pela “Cascata da Curva do Cântaro”, que apresentava um início vertical, algo duro para aqueles braços cansados das “pioladas” do dia anterior.


"Curva do Cântaro".


Mais abaixo, descobriram gelo e pedras para o dia inteiro, que consideraram fantástico pois a vontade de se meterem em vias mistas era ...ENORME! Começaram por trepar os dois largos da “Estrela Nocturna”, excelente para aclimatar os crampons ao granito serrano (bom... os piolets também se aclimataram ao granito, entre gancheios e cóquinadas!).





"Estrela nocturna". Uma bonita via.





Seguiu-se o primeiro largo da “Chá das 5”, com um interessante passo de oposição entre gelo e rocha, para caçar o gelo que esperava mais acima. Saíram pelo que apelidaram de “Variante das 4”, um largo deveras interessante para quem gosta de se arrastar pelas pedras e cravar o piolet em...em...qualquer coisa... depois de o esborrachar várias vezes contra o impenetrável granito!!!!




Acrobacias na "Chá das cinco", com saída pela "Variante das quatro".


Não contentes, decidiram abrir mais uma via de misto. O primeiro nome que surgiu foi: “O Cóquinador” (ilustrativo, não é??). Mas uns minutos mais tarde, em jeito de homenagem ao dia de São Valentim, a via foi apelidada de “Enquanto eles trabalham, elas ficam no sofá.”!



Reptando na "Enquanto eles trabalham, elas ficam no sofá".



E eu...cansei-me de os fotografar!

E na Segunda-feira??

Na segunda os esfomeados queriam mais! Mas a neve caiu em força e todas as estradas de acesso ao maciço central foram fechadas! Eles tentaram! Tentaram pela Covilhã e depois por Manteigas, mas a neve sabotou os planos, ao ponto de arriscar o retorno pelo mesmo caminho.


O Carnaval em Manteigas!


Ass: Cannon Powershot A720IS

(com alguma ajuda da Daniela Teixeira).


segunda-feira, fevereiro 15, 2010

DIAS MISTOS... E GLORIOSOS!

DIAS MISTOS... E GLORIOSOS!


Só na "serrinha".

Em breve a report...


Paulo Roxo

segunda-feira, janeiro 18, 2010

CASCATA DO INFERNO. VERSÃO DILÚVIO.

CASCATA DO INFERNO. VERSÃO DILÚVIO.

O Magnifico Cântaro Magro


Nível de actividade: 100 por cento!

Nível de diversão: 100 por cento!

Nível de humidade:... 100 por cento!

Resultado final e conclusivo da ultima sexta-feira (15), depois de um dia épico de escalada em gelo.


O Rui Rosado e eu elaborámos um plano bastante simples: uma viagem relâmpago à Serra da Estrela, a partilhar gasóleo e emoções, com o objectivo de escalar o máximo possível até o dia terminar.


Face Norte do Cântaro


O mau tempo de toda a semana impedia subir de carro ao ponto de partida mais ou menos habitual, a curva do Cântaro. Resignámo-nos a abandonar a viatura no Covão D`ametade e a empreender a aproximação mais longa, através do Covão Cimeiro.

A desvantagem da caminhada foi compensada com o panorama geral das cascatas de toda a área, desde a Curva do Cântaro, ao Corredor largo, passando inevitavelmente pela mais que famosa e eternamente desejada, “Cascata do Inferno”.


Vista geral desde o Covão Cimeiro


“Ali estão!” Lá em cima, confundindo-se com o branco da neve, encontravam-se duas cascatas que nunca em anos anteriores tinha visto formadas e, das quais desconheço qualquer ascensão.

Uma delas fora tentada no passado dia 9 de janeiro pelo Pedro Barreto que, por pouco não conseguiu a primeira ascensão. Nesse dia, o gelo encontrava-se bastante precário e o bom senso falou mais alto.

Desta vez, o gelo encontrava-se em condições aceitáveis e o Rui Rosado realizou a primeira ascensão com destreza.


O Rui a inaugurar a "Quitate la nitro!"



Mais dois momentos na "Quitate la nitro!"


Resolvemos baptizar a via com uma frase emblemática do filme magnificamente idiota: Limite vertical. Tratava-se de uma versão em Castelhano que o Rui havia visto no campo base do Aconcágua. Num dado momento, a meio da película, alguém grita: “Quitate la nitro! Quitate la nitro!”

Pouco depois, lancei-me à linha da direita que, confirmei encontrar-se mais instável. No entanto, a sua dificuldade era menor que a da via anterior e, com o apoio psicológico de um friend sólido, lá “conquistei” a cascata, inaugurando a “Nitroglicerina”.


Eu a dar-lhe na "Nitroglicerina"




Desde aí descemos “a correr” para o sector “Lafaille” onde, ainda se pôde escalar duas vias.

Entretanto, o mar de nuvens cerrado que durante todo o dia escondeu o céu, resolveu começar a despejar... água!


O sector Lafaille.


Sob uma chuvinha miudinha (a chamada “Chuva molha parvos”, em que os “parvos” seriam sem sombra de dúvidas: nós!), dirigimo-nos à “Cascata do Inferno”, com a atitude: “A ver se dá!”

Durante uns minutos estivemos a observar a bela linha gelada, sem saber o que fazer.

A chuva não parava de cair, comprovando de forma inquietante, altas temperaturas.

“E então?” Uns segundos de pausa para a resposta: “Por mim, tentava!”

Ao som das primeiras “pioladas”, à medida que progredia lentamente, a imagem de uma bela cordeleta enfiada num furinho “Abalakov”, a suportar uma fuga estratégica com o rabinho entre as pernas, preenchia o meu cérebro.


"Vai lá Roxo, a neve é mole!"


Mas, ao dobrar a secção vertical inicial, com as palavras de apoio do Rui (“Vai lá Roxo, a neve é mole!”), retomei a confiança e reforcei-a com um parafuso decente.



"Uff! Quase!"


O longo primeiro lance da “Cascata do Inferno” saiu sem grandes novidades e o bom senso ditou que a reunião deveria ser instalada em rocha, com dois “amigos”, colocados numa fissura “à bomba!”


"Nada como uns bons amigos!"


Nessa altura já estavamos encharcados como pintos. A água escorria pelas mangas do blusão e o gore-tex parecia mais um enxovalho, que uma peça de equipamento de alta-montanha.


O Rui a aproximar-se...


"Tá de chuva!"

Prestes a concretizar um dos seus sonhos de Inverno na Serra da Estrela, o Rui escalou o segundo lance da cascata com soltura e, momentos mais tarde, gritava desde o topo: “Reunião!”


"Tá no ir!"


"Bota lá um parafusinho!"


Mesmo ao anoitecer (como previsto) chegámos ao Covão D`ametade.

Completamente ensopados mas satisfeitos, retomámos a estrada de regresso.

Um dia memorável!


O melhor alpinista do mundo?

É aquele que mais se diverte!

Alex lowe


Paulo Roxo

quarta-feira, janeiro 13, 2010

SERRA DA ESTRELA - ICE REPORT

SERRA DA ESTRELA - ICE REPORT

No passado fim-de-semana, antes de o país ficar de novo debaixo de uma massa de baixa pressão deprimente, andou bastante gente na Serra da Estrela, em busca do tão raro gelo.

De facto, os dias de baixas temperaturas foram suficientes para que se formassem de novo as tão desejadas linhas, muito embora lhes falte ainda a espessura necessária para o total conforto mental das protecções.

Aqui fica um resumo do que por aqui e por ali se podia escalar à frente, ou em top., no Sábado, dia 9.

A Daniela e eu fomos direitinhos à Cascata do Inferno mas, os ânimos depressa arrefeceram quando observámos um primeiro lance demasiado fino. O segundo lance, no entanto, parecia “realizável” de primeiro. De todos modos, não nos metemos.


"Cascata do Inferno" ainda precária.


De seguida dirigimo-nos para o Corredor Largo e aí sim...

Partimos gelo na “Cavalo de gelo”, na “Dama oculta” e, do outro lado da “rua” divisámos uma pequena coluna que parecia bastante sólida e convidativa.


Na "Cavalo de gelo".


Na "Dama oculta".


A saída desta pequena via não chegou a ser sequer “uma saída”. Os arbustos no topo eram tão densos que não consegui penetrar de forma a saltar por cima da cascata. Assim, a solução foi deixar um troço de cordeleta a abraçar o máximo de raminhos possível e montar um dos top`s mais precários que alguma vez equipei.

Resolvemos baptizar aquilo com o nome “Colunhorta” (grau 3), vá-se lá saber porquê.


A "Colunhorta".


Na "Colunhorta".


Para finalizar o dia em beleza, fomos a correr até à base de duas linhas que nunca tinha visto formadas.

Alguém já tinha feito uma marcação antes de nós. Eram o Pedro Barreto e um amigo (desculpa, não me recordo do teu nome!) que, também eles, não resistiram ao encanto destas belas cascatas acabadinhas de nascer.

O Pedro Barreto lançou-se à da esquerda.

Por ter ficado de chapa ao Sol quase todo o dia, o gelo apresentava-se bastante precário e com má sonoridade. Ainda assim, o Pedro conseguiu escalar quase toda a coluna principal mas, junto ao topo teve de baixar com cuidado, não fosse a estrutura desmantelar-se fazendo-o baixar... em velocidade!


As "novas" linhas, possivelmente virgens.


Tentei a linha da direita.

O Sol tinha feito das suas e, tal como à esquerda, o gelo soava a oco de uma forma perturbante.

Lá embaixo, alguém escalava no sector Lafaille. Este sector, eternamente sombreado, parecia apresentar um melhor aspecto.

“Vamos mas é lá para baixo!” Dizia a Daniela, adivinhando condições de gelo mais favoráveis.

Rendi-me ás evidencias e desistindo de uma possível nova linha, lá fomos corredor abaixo, a acelerar, antes do ocaso.

O sector Lafaille, costuma (nos melhores dias) ter formadas quatro linhas. No passado Sabado, só uma se apresentava bem constituída. O gelo estava em excelentes condições e, acabou por se revelar uma óptima via para terminar o dia.


Sector "Lafaille".


Sobre as condições do gelo noutros sectores, de referir que a ultra-clássica cascata da Curva do Cântaro encontrava-se em perfeitas condições, como podem atestar o Helder e os companheiros do Clube de Montanhismo de Seia.


A Daniela aponta a "Cascata da curva do Cântaro".


No vale de Loriga, no sector Loriga Ice, estiveram o Rui Rosado, a Ana e dois amigos, que encontraram o gelo ainda fino e vidrado, impossibilitando uma escalada “à frente”. Assim, tiveram de se contentar com algumas topalhadas.

Desconhecemos se alguém esteve na “Cascata encaixada”, no Covão do Ferro que parecia estar bem formada.


Concluíndo, teria sido um fim-de-semana perfeito, não fosse o acidente do Paulo Branco, no Domingo a acrescentar um sabor azedo ao doce da actividade.

Paulo, vê lá se ficas bem!


De seguida, referência ás cascatas existentes na zona do Corredor Largo:




A: Bela cascata virgem. Não foi escalada porque não tocava o solo.

B: Brr! Brr! Não estava devidamente formada.

1: Cavalo de gelo.

2: Canalito. Não a fizemos mas, parecia em condições para se escalar "à frente".

3: Gêmea. Como a anterior.

4: Dama oculta.

5: Diedro de Cristal.

6: Cascata das Couves.

7: Pequena Couve.

8 e 9: Sector Laffaile. Duas vias possiveis de escalar "à frente".


Paulo Roxo