quinta-feira, junho 29, 2006

Erika, uma Estrela da Serra

Há dois fins-de-semana atrás, o entusiasmo que havia para 4 dias inteirinhos para escalar, ficou pela metade. Dois dias de chuva encharcaram-nos as ideias!
Ainda assim, em dois deles fomos à descoberta de novas aventuras.
Nos dois primeiros dias de fim-de-semana alargado, eu e o Paulo só conseguimos assediar os granitos serranos na sexta-feira (16 de Junho).
Como da Covilhã a serra se mostrava negra, ficamos por cotas mais baixas e fomos a umas paredes na Barragem do Caldeirão, mesmo ao lado da Guarda. O Paulo tinha dali remotas recordações, eu, nem as conhecia. Aquele lugar num vale encaixado, com uma bela cascata por trás, foi palco de treino da maltinha da Guarda à uns anos atrás. O dia foi produtivo na medida do possível, duas vias entre três chuvadas. Por ali, há vias de placa equipadas com muuuuiiito ambiente (pode reduzir-se um pouco o ambiente fugindo para as fissuras para colocar protecções intermédias), um extraprumo equipado e fissuras que gritam para que se lhes meta os entalecos.
No Sábado e Domingo o Miguel juntou-se a nós.
Para Sábado, tinha sonhado em abrir uma via, à qual chamaria "A via dos (meus) anos", à semelhança de outra aberta à muitos anos pelo Paulo Alves (era um fetiche!), mas a chuva não deu tréguas e passamos o dia a deambular de carro pelos recantos da serra.





Domingo o dia acordou…com carácter, um pouco de azul, um pouco cinzento, umas gotitas aqui e ali…ainda assim, resolvemos enfiar-nos na parede sul do Cântaro para tentar abrir uma linha que há algum tempo tínhamos observado.
Eu, mariquinhas com a chuva e o musgo, os rapazes, com o entusiasmo ao rubro ao ver tantos metros por escalar.
Algures perto do meio-dia, iniciamos o primeiro largo (6b). O Paulo abriu as hostilidades e trepou por uns ressaltos que conduziram a uma placa bastante técnica (daquelas em que os pés, aderem e das mãos só se usam as palmas). Nesta, colocou uma plaquete (bem ao estilo Pedriceiro) e lá continuou protegendo depois numa fissura repleta de musgo molhado.
Da minha parte, acabei por fazer tudo em placa, só para evitar o musgo, mas a tarefa não me foi fácil!




O Miguel começou o segundo largo (6b+) quando eu ainda pensava em abandonar a história (estava com receio que o musgo me comece os dedos!). E que largo! A coisa segue por umas fissuras que vão dar a um patamarzito, do qual sai um belíssimo diedro, bem vertical e bastante técnico, com a fendinha bastante estreita e as regletes diminutas.


O terceiro larguinho (V), seguiu por uma placa facilita e o seguinte (V+) enfiou-se por fissuras e diedros. A reunião entre o quarto e o quinto...bom, na reunião entre o quarto e o quinto, reside um cagalhão! As multiplas sobremesas do dia anterior, reviraram as tripas a alguém ("pas de preocupacion"...está camuflado!) Depois de esse alguém ter arriado o calhau por ali mesmo merendámos... sem comentários...


O quinto largo (6a) é...algo estranho...movimentos esquisitos num curto diedro que se faz de 3 maneiras diferentes.
Sexto (6b+)...vimos o Paulo deliciar-se com uma espécie de diedro em meia cana, passos um pouco mais exigentes, com um crux um pouco desiquilibrante e atlético.
Por fim, lá foi o Miguel por um diedro atulhado de..."Ericas" espicaçantes.Um setimo largo (V) algo verdejante levou-nos ao cimo do Cantaro.





Mas a história não se fica por aqui! Uma via tão bonita, merece tratamento especial. Por isso, fizemos no Sábado passado a 1ª repetição, para lhe retirar um pouco do seu ar…verdejante e a deixar mais confortável (como quem diz…menos escorregadia!) para os repetidores que se seguem. Aproveitámos e deixamos também por lá uns perninhos nas reuniões e num ou outro lugar mais...arejado.Desta, a trepada soube ainda melhor, num fantástico dia de sol, sem pressa de voltar a casa...perfeito!

Daniela Teixeira (28/06/2006)


Via "Erika" (265 mts, 6b+) Material: 1 jogo de entaladores e 1 jogo de friends (c/ numeros pequenos e médios repetidos)

1 Comment:

Pereira said...

Vocês andam-se a arriscar a ter aqui um óptimo blog. cuidado!