E a sua escalada? Dura, característica, técnica, atlética, difícil, verdadeiramente única! Escalar nestas paredes de Ordesa, requer uma habituação apurada ás geométricas e anguladas formas e ao reinante vazio. Percorrer algumas das mais clássicas vias, é percorrer trilhos da história da escalada em rocha nos Pirinéus.
O Tozal del Mallo ergue-se de forma isolada e altaneira sobre o vale, de forma de eterno vigilante. Pode não ser a mais impressionante de todas as paredes, mas é sem duvida a mais chamativa e estética de todas elas. Nas suas faces, nomes como os irmãos Ravier, Rabadá e Navarro, Bellefom ou Anglada traçaram as primeiras vias de todo o vale com toda a audácia e destreza da época.
Supostamente no dia seguinte à nossa chegada a Torla, iríamos escalar uma das muitas vias, mas ao tocar o despertador de manhã cedo, a ressaca da forte insolação sofrida dois dias antes em Terradets cobrou a sua factura e apenas umas horas mais tarde nos conseguimos levantar. Devido ao avançar da hora e ao nosso lastimável estado de desidratação resolvemos então ir dar uma pequena volta pelo vale. Uma volta, que com o entusiasmo nos levou a subir ao Circo de Carriata, percorrer toda a Faja das Flores e descer pelas Clavijas de Cotatuero. Seis horas de caminhada (com bastantes paragem para comer as grandes baguetes de pão que levávamos e para tirar muitas fotos) desfrutando desta magnifica paisagem.
No dia seguinte escalámos a via «Brujas-FrancoEspañola» (435 mts, 6b+) na face Sul do Tozal del Mallo.
Miguel Grillo e Bruno Gaspar































































