sexta-feira, abril 03, 2009

Pequenas adições na Ponta Atlântica


Cabo da Roca... sempre magnifico!


Em Dezembro equipei, melhor dizendo, semi-equipei, uma via num recôndido sector do Cabo da Roca.

O super-equipador Nuno Pinheiro, acrescentou no ano passado, algumas vias na Ponta Atlântica, inaugurando um pequeno sector baptizado com o nome “Garganta atlântica”. São três vias de escalada desportiva com os graus a oscilar entre o 6b+ (salvo erro) e o 7c.

Para aceder ao sector era necessário rapelar e sair por cima.


Maaar!...


Numa visita ao local avistei um possivel alinhamento para uma nova via a começar desde a base das vias da Ponta Atlântica.

Havia lugar para abrir uma linha com dois lances.

No dia 24 de Fevereiro, durante um tranquilo dia de escalada, acompanhado pelo Timoteo, lá conquistei sem encadear e, em bom estilo “Bisonte”, a nova via, ainda húmida das chuvadas de semanas anteriores.


Timoteo no primeiro lance da "Garganta molhada".


O Francisco Ataíde, com quem por um acaso, coincidimos, resolveu dar um tirinho e, muito rapidamente, ficou resolvido o encadeamento da “Garganta molhada”.

“Sim, talvez um 6c+!” – comentou, como resposta à inevitável pergunta acerca da dificuldade da respectiva.

Para o segundo lance da "Garganta molhada" é obrigatório utilizar um camalot nº 3 (ou equivalente) e talvez algum friend mais pequeno, para os metros seguintes. A não ser que se considere que os chorões que infestam o canal sirvam como crash-pad!


Francisco a resolver a "Garganta molhada".


Rapelamos para a baía para desfrutar de mais algumas das agradáveis vias da Ponta Atlântica.

O Francisco resolveu inaugurar uma fina fissura, situada à esquerda da rampa de saída pedestre da baía. A “Micromachine (6b+)”, para a qual serão necessários alguns micro-friends e entaladores pequenos, faz parte de um par de pequenas fissuras que, apesar do seu aspecto convidativo, permaneciam virgens.


Francisco a abrir a "Micromachine".


Em Novembro do ano passado, depois de equipar o top (comum ás duas vias), a Daniela e eu abrimos a “Fissura esquecida (6a)”. Alguns entalamentos de mãos permitem subir esta via, “pequenina mas, ajeitadinha!”





Paulo Roxo


quinta-feira, junho 12, 2014

As plaquetes também morrem!

AS PLAQUETES TAMBÉM MORREM!



Para aqueles que pensam que "as plaquetes nascem nas paredes", ficam a saber que as plaquetes (neste caso, os pernes) também MORREM nas paredes. Algumas morrem de morte natural e velhice - aquelas de aço zincado, que se distinguem perfeitamente a olho nu. Aquelas que "descascam" com a ferrugem acumulada e às quais ninguém ousa confiar o corpinho.
Depois, existem aquelas que falecem de morte súbita – as de aço inox, colocadas em ambientes extremamente húmidos. Essas, são mais difíceis de identificar porque à primeira vista têm um ar ainda saudável mas, quando submetidas a uma carga mínima (bastam uns 5 a 10 kg – sim, está bem escrito… quilogramas e não KN!) saltam da rocha, ainda com a porca agarrada à cabeça do perne decepado.
Esta última descrição corresponde exactamente ao que aconteceu na terça-feira passada (dia 10 de Junho de 2014), no Cabo da Roca, no sector Ponta Atlântica, na via “Placa da Primavera”.
A “Placa da Primavera” é uma via fácil (semi) equipada por mim em 1999. Os pernes colocados foram os da marca FIXE, aço inoxidável A2. Naquela altura estávamos longe de adivinhar os efeitos perniciosos, associados ao clima, humidade, salinidade e… aço inox.
Existem muitas vias no Cabo da Roca equipadas com este material (incluindo tops e reuniões!).
Na passada terça-feira, com um simples puxão, arranquei a plaquete que apresento nas fotografias. Esta é a segunda plaquete a partir-se desta forma naquela parede. A primeira foi nas mãos do Nuno Pinheiro, exactamente da mesma maneira.
O maior perigo é que não é fácil identificar quais as “bombas relógio”, porque à simples vista o material parece ainda bastante “comestível”, no entanto, creio ter entendido a existência de um padrão:
CABEÇA DO PERNE MUITO NEGRA E PORCA E PLAQUETE AINDA COM BOM ASPECTO.
Se a protecção estiver nestas condições estaremos perante uma ARMADILHA MORTAL EM POTENCIAL – NÃO CONFIEM!
Atenção que isto não é científico, é apenas o resultado de uma simples observação.
Até a coisa ser resolvida (não sei bem como - da minha parte irei desequipar algumas coisas que equipei) o melhor será evitar as vias integralmente equipadas (não são muitas) e tentar
reforçar ao máximo com friends e entaladores.

O PERIGO É REAL!

Tentem passar a informação ao máximo e escalem sempre com a consciência clara dos riscos que podem estar a correr a cada momento.


Paulo Roxo