quinta-feira, novembro 05, 2026

El Chorro 2026


EL CHORRO 2026




As paredes "Frontales" de El Chorro. 300 metros de calcário...


Parece incrível, mas existe um lugar mesmo aqui ao lado onde ainda é possível viver autênticas aventuras de descoberta em grandes paredes.
A Daniela e eu, regressámos de mais um périplo de aberturas na velha conhecida zona de El Chorro.
Só pela graça, desta vez fizemos umas contas e, em três vias, somámos cerca de 860m de terreno virgem vertical.
No dia 23 de outubro, para aquecer os motores, abrimos a via "Aconchada". 205 metros de escalada divertida, quatro lances, uma fissura de antologia de 6b e três cordeletas em pontes de rocha, com um rapel suspenso de 40 metros, desde uma árvore oportuna, para a face oposta da parede. Depois de uns meses duros de trabalho (variado) e algum stress, já nos fazia falta desconectar, melhor… conectar… com a natureza, com a rocha. Foi um prazer ver a Daniela a explorar a nova via, de cabeça leve, livre. O mote estava dado para as aventuras seguintes.


A Daniela em plena escalada de exploração, durante a abertura da "Aconchada".

 
Daniela a iniciar o último lance da "Aconchada".

 

Os dias 25 e 26 de outubro foram dedicados a abrir os primeiros quatro lances de uma nova via, bem mais tesa que a anterior, desta feita na grande parede das “Frontales”, por cima da célebre cova "Poema Roca". A primeira incursão teve o seu culminar no grande tecto do quarto largo e obrigou à colocação de várias plaquetes, interrompidas por um piton e alguns friends. Nesse dia fixámos a corda de escalada e a corda estática, para voltar posteriormente afim de terminar o grande projecto.
Um dia de descanso bastou para retornarmos. Ainda o dia 28 não tinha nascido e já estávamos posicionados de jumares em punho, prontos a subir mais de 100 metros de corda fixa, suspensa no abismo de calcário. A ideia era continuar até ao topo, terminando a nova via, ou descer definitivamente, caso a coisa se tornasse demasiado picante. O calor apertou e, por alguns momentos duvidámos, mas a perspectiva de deixar para trás aquela via tão bonita fez-nos aguentar. Valendo-nos do bom abastecimento de água, decidimos continuar a escalar. O dia terminou como deve ser, ou seja, no topo. Já a caminhada de volta ao carro foi original. É que, mesmo no fim, lembrei-me de perder uma sapatilha. A anilha que a mantinha suspensa ao arnés partiu-se e, sem eu ter visto, o tênis caiu ao vazio. Portanto, a única solução foi descer o trilho calçado com um dos pés-de-gato, assim tipo chinelo. Estávamos felizes na mesma, afinal, para trás tinham ficado os 310 metros da "El Chorro with style", um excelente desafio para os dois, com 11 lances, com dificuldades variadas entre o V, 6b e um bom lance de escalada artificial de A2.

A "conquistar" o grande tecto do quarto lance da "El Chorro with style".


Já a observar o final da grande via "El Chorro with style".



Lance número 9 da "El Chorro with style".


Calçado "misto" obrigatório, depois de deixar cair a sapatilha no abismo de 300 metros...


Descansámos dois dias e fomos investigar uma parede indicada pelo nosso amigo escalador Pedro Soto Guerrero, que está a terminar o seu guia de escalada clássica de El Chorro. "Aquello puede tener mas de 300m..." - dizia Pedro. "E podemos tentar?" - perguntei-lhe. A resposta foi imediata: "Me encantaría!"
Motivados e com a respectiva "autorização", metemo-nos no assunto no dia 31 de outubro. Após 7 horas de escalada "desfrutona", os oito lances longos mas, "rolados", perfizeram a bonita soma de 345 metros. A "Descontrasex" foi a última via deste périplo e possui uma dificuldade máxima de 6a, encontrando-se totalmente limpa de equipamento fixo, com exceção para uma pequena cordeleta fixa numa ponte de rocha, exactamente na última reunião. Deixámos ali a cordeleta em jeito de piada, caso alguém escale o mesmo alinhamento, pensando estar a abrir uma nova via... eu sei, fomos mauzinhos!


Daniela no penúltimo lance da "Descontrasex".
 



A iniciar o sexto lance espectacular da "Descontrasex".


Esta foi uma das nossas melhores semanadas, de sempre, de escalada em El Chorro. Dias bonitos, relaxados e com grandes paredes. Bigwall calcário de vistas largas.
O El Chorro continua a dar cartas no que toca à escalada de aventura. 
Voltaremos, até porque acolá, naquelas paredes, espreita qualquer coisa...


Os topos










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