sexta-feira, setembro 04, 2009

O DIFICIL RETORNO E AS MEMÓRIAS


Este e os quatro seguintes posts serão dedicados ao Karakorum e à nossa ultima tentativa de escalar alguns dos gigantes da terra.

O presente post contêm um texto com as conclusões e reflexões e, os quatro que se seguem contêm uma selecção de fotografias da expedição.


A caminho das montanhas!


GASHERDREAMS


Já pisamos terras lusas há alguns dias.

A “vida normal” regressou...digo-o com consciência, porque nós não regressamos à vida normal. Não depois de uma expedição como a última.

Os dias passam e ainda digo que estou de férias das férias (estranhas palavras estas, quando já me vejo no mundo da cidade e do trabalho!). Os meus pensamentos ainda estão presos a tudo o que vivemos nos Gasherbrum’s.

Carregadores perto de Concordia.


Olhando um pouco mais para trás, recordo que em 2008 voltamos daquele mesmo lugar, e apesar de não trazermos cumes, sempre disse que vivemos uma grande aventura. Recordo-me que ao deixar o campo base, olhei para trás e sorvi a imagem pensando que um dia iria voltar àquele lugar remoto. Voltei com o sentimento de tempo aproveitado, de grande aprendizagem de como estar na montanha e com a certeza de que me conhecia um pouco melhor. Voltei com um sentimento pleno de felicidade.

Em 2008, pela primeira vez pisei uma linha em que não havia mais ninguém. Éramos apenas nós, eu e o Paulo. A montanha tornou-se maior, o (falso) conforto psicológico de uma via mais povoada e preparada, deu lugar ao genuíno sentimento da mais pura aventura. Eu e o Paulo unidos por uma corda que naquela imensidão não era mais do que uma linha fina, delgada e frágil. Mas essa linha que fisicamente era quase invisível, representava a nossa vontade de viver aquele sonho juntos. Aquela corda era o símbolo da partilha da actividade em que ambos colocávamos todas as nossas forças. Eu, o Paulo e a montanha, nada mais interferia na nossa aventura. Vivemos os momentos de alma pura e aberta. Todos os instantes, de alegria, de dúvidas, de medo...todos os segundos reflectiam o nosso ESTAR na montanha. Para além do trio Daniela, Paulo, montanha, nada mais existia ou importava. Estávamos ali a viver o presente que tínhamos escolhido.

Gasherbrum IV. Uma montanha "à séria", para alpinistas "à séria".


Este ano, quando chegamos ao campo base, invadiu-nos o sentimento de que estávamos num lugar a que pertencíamos. Parecia que tínhamos deixado o glaciar há alguns dias, tudo era muito familiar. Tínhamos a sensação de que não teria passado um ano. Chegámos cheios de esperanças, com planos de novamente tentar vias despovoadas, em que as ascensões dependessem inteiramente de nós, da cooperação entre dois pontinhos que seriamos naquelas imensas montanhas. A vida de campo base era forçosamente partilhada com muitas outras pessoas, mas as vias que sonhávamos escalar eram somente nossas. Queríamos sentir novamente que estávamos nós e a montanha. A forma que escolhemos para escalar, poderia não ser suficiente para chegar ao cume, mas era essa “forma” que valorizávamos, muito mais do que aquele ponto mais alto, que este ano ficou ainda mais longe de nós.

A Daniela, durante a fase de aclimatação.


A nossa primeira tentativa ao Gasherbrum VI (7004 m), encerrou todo este sentir de montanha. Decidimos de início não partilhar publicamente esta ideia porque era o nosso sonho privado...íntimo. No dia que escalamos os 800m de face de neve e gelo do GVI (até aos 6400 metros, aproximadamente), tive oportunidade de aplicar muito do que tinha aprendido no ano anterior. Escalava com mais fluidez, num terreno mais técnico. Sentia segurança (ou controlava o medo?!) mesmo quando me deparava com pontos de protecção precários. Em poucas palavras, desfrutava ainda mais. Desfrutava do prazer daquela escalada, não só pela escalada em si, mas também porque partilhava com o Paulo um sonho ainda maior do que o de 2008. Estávamos a calcar terreno completamente virgem, numa montanha em que o cume nunca tinha sido pisado! A linha que nos unia em 2008, muito mais forte do que uma corda, tinha-se consolidado ainda mais em 2009. No entanto, as forças do universo não quiseram mais uma vez deixar-nos continuar até aquele cume intocado. Estávamos a cerca de 60m da aresta que nos levaria ao cume, convencidos de que o pior estava já para trás, quando o terreno empinou e as condições do terreno mudaram. Eu assegurava o Paulo, mas os meus olhos tentavam visualizar uma passagem por entre as enormes cornijas penduradas mesmo por cima das nossas cabeças (diga-se que de cotas muuuuuuiiiitooo inferiores, as ditas cornijas parecem quase inexistentes). Tentar eu tentava, mas a passagem permaneceu escondida dos meus olhos. Mas também não teve importância, porque não conseguimos superar aqueles infames 60 metrinhos! A certa altura, o Paulo capta a minha atenção: pendurado numa pendente de 70º de gelo, olha para baixo e diz-me que está com medo de subir mais. A neve que o envolvia não permitia qualquer tipo de protecção e uma queda naquele local poderia ser fatal para os dois, já que a reunião não estava montada para uma queda séria e entre os dois não existia ainda qualquer ponto de protecção. “Maricas! Vai para cima! Ainda não estamos prontos para desistir!”, berrava eu a plenos pulmões sem dar muita atenção ao que estava a acontecer 4 metros acima da minha cabeça. “Não dá! Não há sítio para proteger, a neve está uma m...”. Simultaneamente, em forma de teste, o Paulo apercebe-se ainda mais da situação quando o seu piolet trespassa com facilidade um troço de neve vertical...em pó! Sim, neve vertical em pó! Estávamos no centro de uma “flute” em que as paredes laterais não ofereciam consistência. Só aí percebi o porquê do medo. “Deeeeesce!”. Ainda pensei em dormir por ali, na esperança de encontrarmos uma solução para aquele mas, a inclinação do terreno, a juntar ao perigo de sermos fulminados por algum dos calhaus que de vez em quando rolavam pela face, obrigaram-nos a admitir que a única opção que realmente tínhamos era descer...desistir! Assim, à pior hora do dia, aí pela uma da tarde, iniciamos uma descida complicada, destrepes em terreno inclinado com neve instável, rapeis em “abalakovs (pontes no gelo)” precários, rapeis num só piton...enfim...um verdadeiro teste aos nossos nervos...mas passámos! Após 20h de actividade, estávamos de regresso à nossa tenda no glaciar.

A Daniela durante a nossa escalada ao GVI.


Nesta aventura, estávamos alheios a muito do que ia condicionar o nosso sentir acerca desta expedição e estávamos longe de imaginar o esforço mental a que iríamos ser sujeitos.

Até então, o prazer que retirávamos das montanhas, do ambiente que nos envolvia, das boas pessoas que aos poucos íamos conhecendo, fazia-nos superar as dificuldades que enfrentávamos no campo base, onde passávamos a maior parte do tempo e por isso constituía uma boa parte da expedição.

O guia que tínhamos, encarregue de organizar e manter o bem-estar no nosso campo base, começava a ser uma verdadeira fonte de problemas. Desde o primeiro dia que se refugiava entre a preguiça e as mentiras, para gastar o mínimo de energia no que deveria ser o seu trabalho durante cerca de 40 dias. Com o passar do tempo, a permanência no campo base era cada vez mais desconfortável, mas as adversas condições meteorológicas não nos permitiam voos mais altos.

A juntar ao dito guia, tínhamos um elemento no grupo de difícil convivência, e que veio a revelar-se num mentiroso e num ladrão (sim, num mentiroso e num ladrão! Com provas dadas de ambos os adjectivos!).

No dia 20 de Julho, já tínhamos claro que não teríamos condições nesta época de concretizar os nossos maiores sonhos. As condições que encontramos no GVI e que nos fizeram desistir, empurraram-nos para o GII. Nesta montanha, devido à grande quantidade de neve que existia a cotas superiores, havia apenas uma hipótese viável para a ascensão – tentar a via normal da montanha. A via que tínhamos planeado, o “Esporão dos Franceses”, possuía na sua parte superior uma grande extensão com inclinação diminuta, o que fazia supor que iríamos encontrar neve até... aos joelhos? À cintura? Ao pescoço?? Intransponível, para o esforço de apenas duas pessoas. No dia 21 chegamos ao campo 1 com ideias de tentar o cume, mas no final desse mesmo dia cruzamos o extenso glaciar regressando ao campo base, na tentativa de organizar um resgate. Um amigo espanhol dado como morto no dia anterior, encontrava-se vivo a grande altitude. Tristemente, este amigo, Luis Barbero, descansa hoje no GII.


A beleza das montanhas em contra-senso com as acções humanas.


Tudo o que se passou como consequência deste acontecimento condicionou os sentimentos relativos a esta expedição. Eu e o Paulo abandonámos a nossa hipótese de tentar o cume do GII, para tentar organizar o resgate. Foi com tristeza que no campo base nos deparámos com as dificuldades impostas por quem não quer fazer grandes esforços para ajudar.

O pesar da morte, mesclado com o sentimento de raiva...de espanto, de decepção induzido pelas atitudes dos que pouca vontade tiveram para ajudar, condicionaram o resto da expedição e o sentimento global que ficou desta experiência de 2009. Não tivemos força mental para tentar novamente escalar o GII, esta montanha ficou imediatamente posta de parte. Mas o verdadeiramente triste, foi a confirmação do que já pensávamos mas nunca tínhamos verdadeiramente experimentado: nas montanhas grandes, onde há muita gente, há sempre quem valorize mais o cume que tudo o resto. Consciente ou inconscientemente, estes refugiam-se em desculpas para não terem de ajudar, tentando sempre que tal atitude não transpareça para a comunidade escaladora... é assim a mente humana. Mas quem está lá, vê e percebe. Percebe e decepciona-se. Decepciona-se e não esquece. Há quem encontre sempre energias para tentar cume, mas estranhamente não encontre para tentar ajudar. Há uma ambição desmedida e a vida (dos outros)... passa muitas vezes para segundo plano.

Sempre que há muita gente, há sempre alguns que olham apenas para o seu umbigo e esquecem-se que um dia, pode ser o seu umbigo a pedir ajuda.

Este sentimento de decepção com a natureza humana, mistura-se ainda hoje com a imagem que recordo de dia 21 de Julho à noite. Minutos antes de eu e o Paulo descermos ao campo base, a luz do frontal de Luis piscava ainda aos 7700m e das tendas do campo 1 emitiam-se sinais luminosos que imagino que lhe davam uma réstia de esperança. Uns minutos depois de abandonarmos o campo 1, olhei para trás e o azul-escuro da noite era um vasto manto que cobria a montanha. De luz, apenas as estrelas brilhavam no céu, indiferentes a tudo o que se estava a passar. O campo 1 tinha adormecido e Luis não emitia mais nenhum sinal. Não sei se olhava para baixo sem a luz da esperança, se tinha também adormecido, ou se tinha adormecido para sempre. O Paulo olhou também para trás e fez os últimos sinais de luz com o seu frontal... desta não obteve resposta. A luz de Luis não mais brilhou.


Masherbrum


Pouco antes de abandonarmos de vez o campo base, decidimos fazer nova tentativa ao GVI, desta vez pela gigantesca face que se situa mesmo em frente ao campo base. Pretendíamos escalar os cerca de 2000m de face que seguem até à aresta e desembocam relativamente perto do cume. Uma via mais directa, mas mais complicada, não só pelo seu comprimento e inclinação, mas também pelos perigos de avalanche. A tentativa não durou muito. Após passarmos os enormes debris de avalanches na base da vertente (com blocos de gelo que nos davam pela cintura), pouco depois de entrarmos na face, pelas 3 da manhã escutávamos o correr de água mesmo por debaixo da placa de neve/gelo onde nos encontrávamos. O som da água fazia prever que as condições do terreno piorassem demasiado quando o sol batesse na face, lá pelas 8 da manhã, o que poderia comprometer a descida (queríamos descer, mas controladamente, evitando recorrer à força da gravidade!). Assim, sem pensar demasiado, decidimos abandonar essa tentativa pouco depois de a iniciarmos. Confesso que o nervoso miudinho de estarmos em terreno bastante avalanchoso nos roeu os ossos até sairmos do alcance dos debris.

No dia 4 de Agosto, deixei novamente o campo base, mas desta não olhei para trás. Não senti que voltaria à moreia daquele glaciar e desejava não estar ali. Desejava cair nos braços da minha família e não deixar os braços do Paulo. “Gasherdreams” ficou para trás mas a corda que nos une, está mais forte. Estou segura que será a linha vital de muitas outras aventuras.


Daniela

Paulo no campo base. Relax!

segunda-feira, agosto 31, 2009

DE VOLTA!

Estamos de volta!

De seguida, a conclusão final da expedição ao Karakorum, com algumas considerações à mistura.


Num plano completamente diferente uma nova report sobre a Serra da Estrela e as suas ultimas aquisições verticais... aqui na rocha podre!



Breve...

quinta-feira, junho 04, 2009

Até Agosto o RPPD estará de férias... mas podem sempre viajar connosco às serras do Karakorum!!!


quarta-feira, junho 03, 2009

TOKA LANGAGE (?!)




Pinheirinhos!


- Uau! Agora sim, escalada! – Pela primeira vez, liberto-me das amarras da tensão e da duvida e lanço-me a uma série de passos que se sobrepõem rapidamente.

Ironicamente é a secção da via em que as protecções mais distam e, onde é impossível proteger com outras coisas. No entanto, o run-out coincide com o troço de melhor rocha. As boas presas surgem-me nas mãos e a escalada desenvolve-se com fluidez. A corda pende livre. Uma queda iria supor um voo distante mas, jamais exposto. O extra-prumo é considerável.


O primeiro lance: longo, precário e nervoso.


Depois de equipar (semi-equipar) e limpar a via desde o cimo, faltava realizar a primeira ascensão.

No dia 5 de Abril, a Daniela e eu dirigimo-nos para os Pinheirinhos determinados a dar o nosso melhor.


A daniela e as gaivotas.


Essa determinação foi rapidamente minada logo após os primeiros metros.

Dias antes, eu tinha ocupado bastante tempo a limpar e sanear blocos incrustados no inicio da via. Mas, pelo visto, contra todas as expectativas, essa limpeza, a juntar ao numero de plaquetes colocadas, não ajudaram a mitigar o medo causado pela própria estrutura rochosa.


Nuvens...


Bastante nervoso, fui realizando os movimentos mas, não me atrevia a prosseguir sem analisar os passos seguintes... pendurado na protecção anterior.

O run-out com rocha de qualidade foi, na verdade, o salvador espiritual deste lance infame.

Depois da reunião, seguiu-se uma placa com um “concentrado de dificuldade” e logo um diedro de aspecto frágil mas, de rocha excelente.




Dois momentos do segundo largo. Aparência frágil mas, sólido.


O ultimo largo é mais difícil do que parece, quando visto desde baixo. Os dois blocos suspeitos a meio, apesar de bem agarrados, devem ser tratados com respeito.

A “Toka Langage” – o nome não tem qualquer significado!- trata-se simplesmente de mais uma via a juntar à colecção dos Pinheirinhos.

O primeiro lance é o mais equipado mas, também é o mais delicado. Este pode ser evitado, escalando o primeiro largo da “Oliveirinha”.


Paulo Roxo




quinta-feira, maio 28, 2009

SERRA DA ESTRELA. VALE DE LORIGA.



O Verão aproxima-se e a Serra da Estrela acaba de despir o seu efémero manto de neve.

Há muito que os piolets estão estacionados e é tempo de pensar em... rocha. Pelo menos para vocês, que anseiam por retornar ao granito da Serra, ou que finalmente, se decidiram conhecer o que a Estrela tem para oferecer.

Entre 1996 e 2003, foram realizadas várias visitas ao belíssimo Vale de Loriga. Durante algumas Primaveras e Verões foram abertas uma vintena de vias, dispersas por quatro maciços principais localizados abaixo da represa que fecha o vale.

Desde então permaneceram um pouco na obscuridade e esquecimento. São no entanto, linhas naturais e intuitivas, algumas belas vias de fissura que pedem a gritos para serem escaladas.

Desvenda-se aqui, mesmo antes de partir para um outro canto do mundo, as vias existentes até à data, no Vale de Loriga.


ACESSO E APROXIMAÇÃO


Para o Vale de Loriga, vindo da Covilhâ, passar os grandes (e aberrantes!) estacionamentos do ski. Na primeira curva teremos uma ampla vista sobre o Vale de Loriga (ao fundo divisa-se o sector “Al Cabreiro”, depois da represa), passada a segunda curva para a esquerda, encontramos uma esplanada onde é possivel aparcar. Desde aqui sai um estradão de terra que se dirige directamente para o Vale de Loriga. Passamos por cima da represa e descemos por trilho evidente até ao Covão da Areia, no centro do vale.

O primeiro grande maciço da direita é o Cabeço do Balcão. Subindo pela direita do vale chegamos aos outros sectores.

Atenção: Se vamos deixar algo de valor dentro da viatura o melhor será estacionar junto à Torre e realizar o trajecto a pé. 1h30, a descer.




AL CABREIRO E COIÇO DA NAVE




  1. Al Cabreiro. 80 mts, 6b/A1. Paulo Roxo, Ricardo Nogueira e Paula Ferreira em 13 de Julho de 1996.

Reuniões equipadas.

L1: V. Entrada pela esquerda de um diedro, logo pelo diedro.

L2: 6b/A1. Diedro seguido de espectacular fissura de entalamentos. Travessia final para a esquerda em artificial.

L3: 6a. Fenda, seguida de curta chaminé. Saída por placa protegida com um piton.

Material: Friends, médios e grandes repetidos. Entaladores.

Descida: Rapel pela própria via.

  1. Em busca da cascata perdida. 80 mts, 6c. Paulo Roxo e Vasco Candeias em 5 de Fevereiro de 2000 (linha oculta no croquis. No interior da grande chaminé).

Reuniões equipadas.

L1: Comum com a “Al Cabreiro”.

L2: 6c. Fenda em linha recta a meio da grande chaminé.

L3: 6a. Chaminé (túnel vertical!). Saída por fissura vertical.

Material: Friends e entaladores.

Descida: Rapel pela “Al Cabreiro”.

  1. Os vagabundos do Gore-tex. 80 mts, 6c/A1. Paulo Roxo e Mário Albuquerque em 9 de Julho de 2001 (segundo lance oculto no croquis. No interior da grande chaminé).

Reuniões equipadas, excepto a ultima

L1: Comum com a “Al Cabreiro”.

L2: 6c/A1. Diedro à direita da “Em busca da cascata perdida”. Travessia horizontal para a direita protegida com pitons (artificial), que convêm rebater.

L3: 6b+. Travessia horizontal até esquina aérea. Logo na vertical por placa.

Material: Friends. Repetir grandes (camalot 4) e médios.

Descida: Rapel pela “Al cabreiro”.

  1. Master Five. 80 mts, 6c. Paulo Roxo e Paulo Gorjão em Setembro de 1999.

Reuniões equipadas com um perno. Algumas plaquetes nos largos.

L1: V. Trepada algo musgosa de acesso ás vias.

L2: 6c. Fenda dificil, chaminé aberta e saída por fissura.

L3: 6b+. Diedro dificil, off-width e fissura de saída.

Material: Friends. Repetir médios.

Descida: Rapel pela “Al Cabreiro”.

  1. O grande diedro. 80 mts, 6b. Paulo Roxo, Paulo Gorjão e Vasco Candeias em 17 de Junho de 2000

Reuniões equipadas com um perno, excepto ultima.

L1: V. Comum com a “Master Five”.

L2: 6a+. Diedro evidente.

L3: 6b. Diedro evidente.

Material: Friends. Repetir médios.

Descida: Rapel pela “Al cabreiro”.

  1. La Psicóloga. 80 mts, 6a. Paulo Roxo e Vasco Candeias em 17 de Junho de 2000.

Reuniões 1 e 3 equipadas com um perne.

L1: Comum com a “Master Five”.

L2: III. Trepada de acesso à fissura.

L3: 6a. Fissura que alarga até se transformar em off-width.

Material: Friends médios e grandes. Aconselhável camalot 5.

Descida: Rapel pela “Al Cabreiro”.

  1. Greta Garbo. 60 mts, V+. Paulo Roxo, Ricardo Nogueira e Yolanda Traver em 15 de Março de 1997.

Uma plaquete na ultima reunião.

L1: V. Placa e fissura vertical. Reunião em fenda horizontal.

L2: V+. Laca algo técnica até alcançar fissura vertical.

Material: Friends e entaladores.

Descida: Rapel pela “Graciosa”, com cordas duplas de 50 metros.

  1. Aquiles. 50 mts, V+. Miguel Loureiro, Paulo Roxo e Paula Ferreira em 3 de Agosto de 1996.

Reunião equipada.

Fissura rectilínea evidente.

Material: Friends e entaladores.

Descida: Rapel pela própria via com cordas duplas de 50 metros.

  1. Graciosa. 50 mts, V+. Paulo Roxo e Yolanda Traver em Junho de 1996.

Reunião equipada.

Fissura rectilínea evidente (paralela com a “Aquiles”).

Material: Friends e entaladores.

Descida: Rapel pela própria via com cordas duplas de 50 metros.

  1. Ervas. 50 mts, V. Paulo Roxo, Paula Ferreira e Miguel Loureiro em 4 de Agosto de 1996.

Via totalmente desequipada.

Primeiro por diedro, logo por placa musgosa.

Material: Friends.

Descida: Rapel pela “Graciosa” com cordas duplas de 50 metros.

  1. Moby Dick. 50 mts, 6c. Paulo Roxo e Francisco Sancho em 3 de Junho de 2000.

Reuniões equipadas e três plaquetes no primeiro largo e uma no segundo largo.

L1: 6c. Diedro com entrada estranha.

L1: (11a) IV. Entrada alternativa.

L2: 6c. Fina fissura evidente.

Material: Friends e entaladores.

Descida: Rapel pela “Graciosa” com cordas duplas de 50 metros.


COIÇO DA NAVE

  1. Bigwallica. 60 mts, 6c. Paulo Roxo, Miguel Loureiro e Paula Ferreira em 4 de Agosto de 1996.

Uma plaquete na reunião final.

L1: 6c. Fissura vertical e em meia lua para a esquerda. Saída para a direita antes do final da travessia, logo placa tombada até à reunião.

L2: 6b+. Fenda vertical evidente.

Material: Friends. Repetir médios.

Acesso: Rapel pela própria via. Cordas duplas de 60 metros. Reforçar reunião.


CABEÇO DE BODE



  1. Natal de Verão. 100 mts, 6b/A1. Paulo Roxo em solitário em 1 de Setembro de 1998.

Via totalmente desequipada.

L1: 6b. Entrada dificil seguida de chaminé fácil.

L2: 6b. Grande lastra.

L3: A1/V+. Fenda vertical (artificial), floresta de zimbro e diedro.

Material: Friends e entaladores.

Descida: A pé, destrepando pela direita do sector.

  1. O antagonismo dos pólos. 80 mts, 6c. Miguel Grillo, Paulo Roxo, João Ferreira, Ricardo Rodrigues, Helder Massano em 31 de Maio de 2003.

Segundo lance totalmente equipado.

L1: 6c. Fenda larga (off-width).

L2: 6a+. Placa técnica totalmente equipada.

Material: Friends grandes e médios.

Descida: A pé, destrepando pela direita do sector.

  1. Manel das feijocas. 50 mts, 6c. Paulo Roxo e João Ferreira em 31 de Maio de 2003

Reuniões equipadas.

L1: 6c. Fissura dificil e vertical.

L2: V. Placa tombada.

Material: Friends e entaladores.

Descida: A pé, destrepando pela direita do sector.


CABEÇO DO BALCÃO



  1. Pitágoras. 80 mts, 6a. Paulo Roxo e Yolanda Traver em 23 de Junho de 1996.

Via totalmente desequipada.

L1: 6a. Fissura diagonal para a esquerda.

L2: V. Fissura diagonal para a direita.

Material: Friends e entaladores.

Descida: A pé, destrepando pela esquerda do sector.

  1. Noite na Terra. 80 mts, 6a. Paulo Roxo e Yolanda Traver em 23 de Junho de 1996.

Via totalmente desequipada.

L1: 6a. Diedro com entrada por granito branco.

L2: V+. Fissura/diedro.

Material: Friends e entaladores.

Descida: A pé, destrepando pela esquerda do sector.

  1. Homem-Rato. 110 mts, 6a/A1. Paulo Roxo em solitário em 31 de Agosto de 1998.

Um spit na primeira reunião e outro no inicio do segundo lance.

L1: 6a/A1. Diedro evidente. Saída para a direita por fina fissura.

L2: A1/V+. Fissura fina vertical.

L3: V+. Fissura, primeiro vertical, logo mais tombada.

Material: Friends, entaladores e uns três pitons (dois lâminas e um universal).

Descida: A pé, destrepando pela esquerda do sector.

  1. Diedro inevitável. 100 mts, 6b/A1. Primeira ascensão desconhecida.

Via totalmente desequipada.

L1: 6a. Esporão à esquerda de uma chaminé. Reunião em árvore numa grande plataforma.

L2: A1/6b. Diedro evidente.

L3: A1/6b. Diedro evidente.

Material: Friends e entaladores.

Descida: A pé, destrepando pela esquerda do sector.



Segue uma lista de vias muito aconselhadas para uma primeira visita... ou segunda visita... ou terceira...


Al Cabreiro – Segunda via a ser aberta no maciço. A fissura de entalamentos de mãos do segundo lance diz tudo. Ainda espera uma realização total em livre.

Em busca da cascata perdida – Única via aberta no Inverno. Muito bonita. A sua chaminé, interior, tipo túnel vertical dá-lhe um toque de graça pouco habitual.

Os vagabundos do Gore-tex – Aérea via cujo segundo lance espera uma total realização em livre.

Master Five – Fissuras espectaculares.

O grande diedro – Incontornável. É O diedro!

La psicóloga – Fenda larga, arranha ombro mas, uma boa recordação masoquista.

Moby Dick – Uma das melhores vias de Loriga. O primeiro lance é de difícil leitura (à entrada).

Bigwallica – Espectacular linha de dois largos de realização obrigatória.

O antagonismo dos pólos – O primeiro largo segue uma das fissuras mais rectilíneas da Serra da Estrela. É no entanto um “off-width”. O segundo largo, segue uma placa técnica muito bonita, totalmente equipada (com ambiente!). Via obrigatória!

Manel da Feijocas – Muito boa via que espera ainda um encadeamento.

Homem-Rato – Aberta em solitário, o seu nome deve-se a um ratinho que saltou de um arbusto quase provocando a queda (que seria monumental) do aberturista.

Diedro inevitável – O diedro mais evidente do sector.


A maioria das vias foram abertas sem se realizar qualquer limpeza de musgo. Algumas, no maciço de Al cabreiro, foram posteriormente escovadas mas, já lá vão uns anitos. Por isso, a acrescentar ao material necessário, não esquecer uma escova.



Paulo Roxo




sexta-feira, maio 15, 2009

EDELWEISS UP-DATED... E OUTRAS COISAS!



A Meadinha.


Em Outubro de 2008, a Daniela e eu abrimos uma nova via na parede da Meadinha.

A Edelweiss foi aberta desde baixo, com a utilização da máquina para colocar os poucos pernes existentes. Estes foram colocados “à frente” içando a máquina com uma cordeleta de apoio.

Pouco tempo depois, soubemos que algumas semanas antes da nossa abertura, tinha sido inaugurada uma via que coincidia com a Edelweiss no final do terceiro lance. Tratava-se de um antigo projecto do Pedro Pacheco com o nome de “Via Norte” e ainda não referida nos croquis da Meadinha.

Por ignorância, acrescentámos dois pernes na Via Norte. Um, numa pequena placa final do terceiro largo e o outro na terceira reunião.


A aldeia de Sra da Peneda, lá embaixo!


A manhã do dia 1 de Maio viu-nos a subir a fantástica escadaria de pedra que, por entre o denso bosque permite aceder à base da parede da Meadinha.

Pretendíamos repetir a Edelweiss, com um triplo objectivo: retirar as plaquetes “invasoras”, forçar a via em livre rectificando o grau de dificuldade e (sobretudo) desfrutar uma vez mais desta magnifica parede.


A Daniela a iniciar a via S.


Após a nossa abertura, a Edelweiss foi repetida por escaladores galegos que a realizaram integralmente em livre e... decotaram a via, “a pique”!

Dizem que as placas técnicas são a coisa mais difícil de cotar no mundo da escalada em rocha. A nossa percepção inicial conduziu-nos a propor um determinado grau à Edelweiss. Para além de ser uma via de características tipicamente “a la Peneda”, com as sempre presentes trepadas nervosas por cristais salientes, estávamos a abrir via, o que pressupõe uma maior dificuldade de análise e conclusão das dificuldades. Por outro lado, o grau está longe de ser uma estrutura rígida e a sua consolidação resulta de um consenso de opiniões dos repetidores.


Vistas sobre o "Pequeno half-dome".


Sabemos que alguns escaladores de Vigo e outra malta do norte de Portugal estão muito acostumados a este tipo muito particular de escalada. Daí, nem sequer constituir uma surpresa por aí além o facto de terem decotado tanto a via (num dos largos, do 6b para V+/6a!). Para mim é perfeitamente compreensível. Estes tipos, são de facto os locais e estão mesmo à vontade no reino do cristal!


Uma cordada na via "Meadinha".


Como era de esperar, a nova ascensão da Edelweiss correu-nos de uma forma muito mais fluida e a via foi totalmente encadeada em livre.

Na curta placa final do terceiro lance, comum com a Via Norte, onde por desconhecimento tinha colocado uma plaquete, realizei os passos sem proteger na chapa e, posteriormente desequipamos a secção. A plaquete da reunião também foi retirada. É possivel montar esta reunião com friends ou utilizando uma cinta à volta de um grande arbusto oportuno.


Daniela antes de iniciar a via "Meadinha".


No ultimo largo, apenas interessante para quem queira muito realizar “toda” a Edelweiss foi equipada a reunião com uma (!) plaquete de argola.

A linha de rapel a adoptar coincide com a via “Aplaudeme Nena”, com a possibilidade de se apanhar outras reuniões, de outras vias.

A Edelweiss é uma via de grau mais ou menos acessível mas, exposta. No segundo lance encontramos um “run-out” considerável num esporão de escalada relativamente fácil mas desprotegida, não só para o primeiro, como para o segundo da cordada que, no caso de queda se arrisca a rebolar pela esquerda ou direita da aresta. Assim, é de todo conveniente afrontar esta via com o nível psíquico consolidado no granito da Peneda.


Daniela na via "Meadinha".


Por outro lado, no fim de semana de 1 de Maio, a Meadinha recebeu a visita de alguns ilustres “mouros” da nossa comunidade, que se deleitaram com a “escalada do cristal”, resultando na repetição de algumas vias emblemáticas, como a “Autopista”, a “KK deluxe”, a “Come-cocos” e alguns outros largos, mais... alternativos! Alguns enganos conduziram à repetição de alguns lances raramente escalados.

O Nuno Pinheiro, avança para o que pensava ser o segundo lance da KK deluxe, realizando, na verdade, a via “Cálice do Porto”, recentemente escovada e aberta pelo Alberto Teixeira e o Paulo Pereira, em 1987. Esta é uma das vias da Peneda com fama de comer poucas protecções e “run-outs” tremendos. O Nuno descreve a façanha como uma escalada exposta de escassas peças e com uma placa final que “pode chegar ao 6b+” (da Peneda!!).

Os recentes croquis da Meadinha não apresentam ainda o grau para esta via.


Sergio "abismado" na "Come-cocos".


No dia seguinte, o “Bau-bau” ainda bastante cru na arte de lidar com a quinquilharia (era a primeira vez que escalava “à frente” com friends!), resolve atacar o primeiro lance da “Come-cocos” mas, após ultrapassar a arvore (!) inicial desvia-se da fenda de entalamentos de mãos e entra de chofre (absolutamente equivocado!) no “Off-width” da via “Roy”. A fenda revela-se larga o bastante para um cenário de esfoliante de pele. As protecções transformam-se de súbito NA protecção protagonizada por um singular friend dos grandotes a ser arrastado, de uma forma já clássica, fissura acima. Terminus na reunião com um cheiro a suor fora do normal. O cheiro do medo!

Um BRAVO para o “Bau-bau”!


Eu, na "Dias de lluvia", sem utilizar qualquer das plaquetes instaladas... excepto o top, claro!


Entretanto, a Ana Silva e a Isabel Boavida, partilharam a liderança na espectacular Autopista, com o sr. Emilio a dar o seu melhor “20 anos depois” da sua ultima visita à Meadinha, num tempo em que os friends eram mais valiosos que diamantes e as plaquetes eram caricas de coca-cola.

Inspirado pelo retorno, o Emilio contou para aí umas cinco ou seis vezes a sua longínqua aventura na “Directa dos tectos”, em que subiu o primeiro largo da via, todo borradinho. Como segundo de cordada o Paulo Gorjão escalou o lance em livre... de preconceitos e exclamou: -Olha Emilio! Só vim aqui para te dizer que se quiseres continuar, vai sozinho! Eu... vou para baixo!







Paulo Roxo

quinta-feira, maio 07, 2009

COUNTDOWN
...falta 1 mês...

terça-feira, abril 21, 2009

EL CHORRO


Chuva, chuva a norte, chuva ao centro, chuva a sul. Assim ditavam as previsões meteorológicas para o fim de semana da páscoa.

As dúvidas atormentavam-nos as ideias, à Daniela e a mim.

- E que tal o sul, SUL?

- Onde?

- El Chorro, por exemplo.

- Mmmm...


Vistas!


Pendurado num camalot 0,75, tento repousar alguns segundos. Olho para baixo e observo a fissura perfeita que corta a mega placa vertical com quase 50 metros. Desejava estar mais em forma para poder encadear esta extraordinária fenda.

Respiro fundo e retorno aos entalamentos de mãos para mais alguns metros de escalada.

Terminamos a via e começamos a procurar a reunião de rapel que se encontra instalada no lado oposto do penedo.

A outra margem da garganta oferece-nos a visão das paredes mais espectaculares do El Chorro.


As grandiosas paredes por cima dos tuneis.


E os incriveis tuneis!


Um ultimo rapel coloca-nos no “Caminito del Rey”, uma surreal passadeira que percorre a Garganta de los Gaitanes, suspensa sobre um precipício de cortar a respiração.



Um olhar desde os tuneis para "Caminito del Rey"...


...abismo assegurado!!


Com os últimos minutos de luz solar, pensamos onde podemos ir saciar a fome.

O estacionamento do parque de campismo de El Chorro, junto à represa encontra-se apinhado de viaturas. Adivinhamos o rebuliço de gente que neste fim de semana prolongado resolveram, como nós, escapulir-se da chuva intensa prevista para as terras do norte.

Na verdade, nem sequer o El Chorro, situado a sul da Andaluzia e conhecido pelo seu clima benigno, conseguiu ficar livre da massa de humidade que invadiu toda a Península Ibérica. Na sexta-feira choveu bastante, o que para nós nem foi muito negativo pois permitiu uma fugaz visita à emblemática cidade encantada de Granada.




Descobrimos um pequeno restaurante na margem oposta ao parque de campismo e refugio de El Chorro. Neste lugar mais tranquilo, em frente a um prato bem servido, fizemos a revisão do dia vivido na fantástica “Rayito de Luna, 6c”.


A Garganta de los Gaitanes.


A “Rayito...” foi aberta em 1984, por Andrés Ortega, Javier Rodriguez e Rafael Gamarro, quando apenas existiam três vias equipadas em toda a escola. Esta via ficou votada ao abandono durante bastante tempo. Por estar situada mesmo por cima das águas do lago formado pela barragem, as dificuldades de acesso eram obvias. Até ao momento em que foi equipada uma tirolesa em cabo de aço, mesmo à entrada da garganta. Essa tirolesa foi renovada recentemente, o que motivou abertura de outras vias no sector.



Um cú pesado! "Já tou velho para estas cenas!"


A Tirolesa... radical!


A travessia da tirolesa, incluidas as anterior e posterior “Ferratas”, demoram o seu tempo e a utilização de uma roldana para cabo de aço (que não dispunhamos) é fortemente aconselhável. Este factor, a juntar à obrigação de carregar os friends (coisa rara em El Chorro) não incentivam a repetições da “Rayito de Luna”. Na verdade, para mim e para a Daniela, pouco apreciadores da “confusão”, estes tornaram-se factores positivos.

Quanto à via, trata-se de um “ex-libris” raro. É uma via de fissuras, situada numa zona em que o forte são as desportivas de chorreiras, extra-prumos e as placas técnicas.


O primeiro lance... equivocado. O original está mais à esquerda (verificámos que não fomos os primeiros!).


O segundo largo... já no bom caminho!


A Daniela no terceiro lance.


O seu ultimo lance, constituído por uma mega-fissura que corta na diagonal uma grande placa, é considerada única em “El Chorro”. Com efeito, num mundo pejado de plaquetes, como o demonstra a grande maioria das zonas de calcareo de Espanha, esta linha sobressai pela sua quantidade mínima de expansivos, apenas existentes nas reuniões e dois exemplares, no inicio e a meio do ultimo largo, num local onde a fissura atinge as dimensões de um “Off-widht”. Os verdadeiros entalamentos de mãos vêm a seguir...


E a super-fissura!


Ainda...


O ponto negativo desta via está directamente relacionado com a própria localização geográfica. Apesar de ser escalada poucas vezes, a “Rayito de Luna” está longe de constituir uma aventura remota e isolada. Voltada para a estrada sinuosa que liga Ardales a Álora, qualquer escalada nesta parede transforma-se num chamariz para os turistas que por aqui passam. Muitos curiosos param os seus carros em meio da faixa de rodagem e, saem para fotografar os escaladores em plena faina.

De todos modos, o ruído ocasional do trânsito está dentro dos limites razoáveis, nunca atingindo proporções que transformem esta escalada numa experiência desagradável.

A “Rayito de Luna” é de todo uma via aconselhável.

Da próxima vez que visitarem “El Chorro” não tenham vergonha de juntar ao habitual Kit de expresses, um bom conjunto de friends... grandes incluídos!


Paulo Roxo